Seia acusa Governo de desrespeito e exige contrapartidas para aceitar Barragem de Girabolhos
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A Câmara Municipal de Seia manifestou solidariedade com as populações afetadas pelas cheias do Mondego, mas “rejeita liminarmente a forma, politicamente errada e institucionalmente desrespeitosa”, como o Governo anunciou o lançamento do concurso para a construção da Barragem de Girabolhos, “sem qualquer contacto prévio” com os municípios diretamente atingidos pela sua implantação.

Em comunicado, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, considera que esta decisão “revela uma visão centralista que continua a tratar o Interior como território descartável”, sublinhando que Seia é chamada “apenas a pagar o preço das opções tomadas em Lisboa”, sem que sejam ouvidos os seus representantes eleitos e as populações que, há mais de 70 anos “vivem sob a ameaça permanente deste projeto”.

“O Município não aceita que as soluções de uns se tornem problemas de outros, impondo sacrifícios aos mesmos de sempre”, afirma o autarca, defendendo que a solidariedade nacional não pode ser unidirecional nem assentar exclusivamente no ónus imposto aos territórios do Interior.

Correção da tarifa da água e construção de acessibilidades rodoviárias entre as exigências

Como o Seia Digital já havia noticiado, o Município de Seia exige que qualquer solução assente na construção da barragem “seja acompanhada de compromissos claros e vinculativos [por parte] do Estado, nomeadamente a correção imediata do tarifário da água cobrado em alta, que penaliza severamente os municípios do Interior, e a concretização das acessibilidades rodoviárias há décadas prometidas e sistematicamente adiadas, como o IC6, IC7, IC37 e IC12”.

“Mais do que a barragem de Girabolhos, isto sim, são investimentos fundamentais para o desenvolvimento da região e bem-estar das suas populações”, sublinha Luciano Ribeiro, considerando que o Governo “tem de escolher entre continuar a usar o Interior como reserva de sacrifício ou assumir, de forma consequente, uma política de coesão territorial que respeite quem vive, trabalha e investe nestas regiões”.

No mesmo comunicado, a Câmara Municipal de Seia garante que “não abdica” de defender o seu território e as suas populações e “exige diálogo político sério, transparência nas decisões e justiça territorial”, tendo já solicitado uma audiência urgente à ministra do Ambiente e Energia.

Governo quer lançar concurso até final de março

Recorde-se que Maria da Graça Carvalho anunciou ontem que o concurso público para a construção da Barragem de Girabolhos, projeto considerado estratégico para o controlo de cheias no rio Mondego, será lançado até ao final de março. A governante sublinhou que se trata de uma obra necessária para reduzir os riscos associados ao Mondego”, existindo já estudos e trabalhos preparatórios realizados no passado.

A Barragem de Girabolhos abrange territórios dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu, estando prevista como uma infraestrutura de retenção de água, com eventual caráter multiusos, mas com o principal objetivo de controlo de cheias.

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