CineEco celebra 30ª edição com cinema, ações pedagógicas e formativas, conversas e exposições
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O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela mantém uma relação de memória com o cinema português através da programação de clássicos. Na 30ª edição, que se realiza entre 10 e 18 de outubro na cidade de Seia, o festival vai exibir, em dupla sessão, dois filmes recentemente digitalizados pela Cinemateca Portuguesa: Trás-os-Montes e Cerromaior.

Trás-os-Montes, que vai ser exibido dia 13 de outubro, às 16:00h, é uma declaração de amor ao território, identifica hábitos seculares num ambiente rural imponente, e vale a pena ser visto numa época em que a região enfrenta os desafios paisagísticos e ambientais da extração mineira de lítio.

Cerromaior, em exibição a dia 17 de outubro, às 16:00h, com a presença do realizador Luís Filipe Rocha, também contou com a participação ativa da população da região, dramatizando a realidade da sociedade alentejana de finais dos anos trinta, no contexto da relação profundamente desigual entre trabalhadores rurais e latifundiários quando o Estado Novo estava numa fase de consolidação.

Esta dupla sessão permite ainda celebrar os 50 anos do 25 de abril de 1974 através de duas produções cinematográficas rodadas, produzidas e estreadas em plena democracia.

Nas atividades paralelas, o CineEco 2024 apresenta como principal novidade os “Encontros no Mercado”, um espaço de encontro e networking entre estudantes e players do mercado cinematográfico português.

A organização do festival convidou as escolas superiores de cinema e audiovisual do país a terem os seus alunos presentes nesta iniciativa de um dia, uma oportunidade para estes jovens realizarem um pitch de um projeto (longa ou curta-metragem, série, etc.) e/ou apresentar uma curta-metragem já realizada, ligada à temática ambiental.

Pelo segundo ano, e depois do sucesso da edição passada, as Conversas no Jardim da Biblioteca Municipal de Seia sobre cinema ambiental é outro dos destaques do programa. Realizadores, produtores, técnicos, atores, professores, programadores e jurados são convidados a falar sobre a sua experiência e visão de cinema, e de que forma o valor artístico e cinematográfico tem impacto na consciencialização para a causa ambiental.

No que diz respeito a exposições, este ano é apresentado um novo espaço de exibição de filmes com formato mais artístico, mas não menos importante, o Videoarte. Dos muitos filmes conceptuais que todos os anos chegam a concurso, é criada nesta edição uma mostra de filmes que, pela sua envergadura mais poética e dinâmica de projeção em repeat, transpõem a linha meramente cinematográfica e apresentam-se em formato de galeria.

O CineEco contará ainda, de 10 de outubro a 30 de novembro, com mais três exposições na Casa Municipal da Cultura.

O Estado da Água apresenta seis propostas artísticas, desenvolvidas na aldeia do Sabugueiro e no território circundante da Serra da Estrela, no contexto de um programa de residências artísticas realizadas com apoio financeiro da DGArtes. O foco do projeto é a interpretação da presença da água na paisagem a partir de abordagens que exprimem a diversidade das visões artísticas sentidas por Eunice Artur, Iana Ferreira, Inês Teles, Joana Patrão, Jorge Leal e Thierry Ferreira.

Em Plastic Bitch, Cláudia Clemente espelha a situação atual de consumismo desenfreado, poluição extrema, esgotamento de recursos naturais e produção exacerbada de lixo.

Em Line, de Clo Bourgard, o projeto envolve três instalações artísticas: White Line, uma ode à terra em forma de montanha; Green Line, instalação de interação com a comunidade; e Mountain Line, construída com recursos naturais recolhidos no local que estará patente no festival CineEco.

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