FIAGRIS: PSD quer certame de volta; Câmara promete levar vereadores à reunião com empresários
Os social-democratas defendem uma maior ligação entre a Câmara, as empresas e as instituições de ensino. Paulo Hortênsio considera que Seia precisa de valorizar a marca do concelho e envolver o tecido empresarial na organização de eventos. Luciano Ribeiro rejeita o regresso ao modelo anterior da FIAGRIS, mas compromete-se a reunir com os vereadores do PSD na auscultação às empresas sobre um eventual certame económico. O futuro da Escola Superior de Turismo e Hotelaria também esteve em discussão.
O PSD de Seia considera que o concelho precisa de uma “estratégia mais ambiciosa” para atrair investimento, apoiar as empresas e criar condições para fixar população. Entre as propostas defendidas pelo partido estão a recuperação da FIAGRIS, uma maior valorização da marca Seia e o reforço da ligação entre o Município, o tecido empresarial e as instituições de ensino.
As propostas foram apresentadas por Paulo Hortênsio durante a conferência de imprensa realizada a 12 de outubro, na qual o PSD fez o balanço da atividade política do primeiro ano após as eleições autárquicas de 2025. O vereador defendeu que “o concelho não pode limitar-se a gerir o presente” e precisa de preparar o futuro. Considerou ainda que o desenvolvimento económico não se consegue apenas através de “grandes anúncios”, mas exige decisões concretas, planeamento e execução.
Recuperar a FIAGRIS para envolver as empresas
Uma das propostas apresentadas pelo PSD passa pela recuperação da FIAGRIS – Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Seia, enquanto espaço de promoção das empresas, dos comerciantes, dos agricultores e dos produtos do concelho. “Queríamos uma feira que honrasse os empresários, os comerciantes, os agricultores do nosso concelho. Queríamos uma feira-exposição que pudesse trazer as pessoas à volta para ver o que é que de bom se faz no concelho”, afirmou Paulo Hortênsio, que recordou que a proposta de recuperação da FIAGRIS já tinha sido rejeitada pela maioria socialista.
O vereador defendeu que a organização dos eventos municipais deve envolver mais ativamente os agentes económicos, através de uma auscultação prévia das suas necessidades e expectativas. Criticou o atual modelo de participação empresarial nas Festas do Concelho e considerou que uma feira-exposição deveria ter “outro enquadramento” e uma duração mais alargada. Na sua perspetiva, “seguramente, mais empresários apareceriam” se existissem melhores condições para a participação das empresas.
Câmara vai auscultar empresas sobre certame económico
Em resposta à proposta do PSD, Luciano Ribeiro afirmou ao Seia Digital que o Município não pretende regressar ao modelo anterior da feira. “Não queremos voltar ao passado”, declarou o presidente da Câmara, acrescentando que “os municípios que assumem este modelo têm-no abandonado ao longo dos últimos anos”.
O autarca revelou, contudo, que se comprometeu a aprofundar a discussão sobre a organização de um certame económico no concelho. Para esse efeito, anunciou que assumiu o compromisso de convidar os vereadores do PSD para uma reunião com os parceiros responsáveis pela mostra económica integrada nas Festas do Concelho.
Luciano Ribeiro adiantou ainda que pretende promover um inquérito às empresas do concelho para avaliar a sua disponibilidade, as condições de participação, o interesse num certame desta natureza e o retorno que esperam obter.
PSD quer valorizar a marca Seia e atrair investimento
Para além da FIAGRIS, Paulo Hortênsio considera que a marca Seia tem potencial de promoção, mas entende que esse reconhecimento “não está a ser suficientemente aproveitado” para captar investimento e valorizar as empresas locais. Na sua perspetiva, a Câmara deve ter uma intervenção mais ativa na procura de investidores e oportunidades, defendendo que “tem que sair dos gabinetes e ir à procura” de empresas interessadas em investir no concelho.
Em resposta às críticas do PSD, Luciano Ribeiro defendeu que a promoção de Seia exige trabalho junto dos responsáveis pela tomada de decisões e de quem vive e investe no território. “Sobre ‘sair dos gabinetes’, basta acompanhar as reuniões para conhecer o trabalho desenvolvido na procura de investimento e de soluções para Seia, privadas e públicas”, afirmou o presidente da Câmara.
O autarca acrescentou que a defesa do concelho não se resume a uma presença no terreno, mas implica trabalhar com as entidades que podem contribuir para resolver os problemas. “É trabalhar junto de quem decide e com quem cá vive e investe”, declarou.
Luciano Ribeiro referiu que membros do Governo se deslocam ao concelho, levando “soluções antecipadamente trabalhadas” e aceitando novos desafios. Neste contexto, considerou que os vereadores do PSD poderiam “aparecer e aproveitar essas ocasiões para reforçar as reivindicações do concelho junto de um Governo da sua cor política”.
“A defesa do concelho junto do Governo merece, pelo menos, o mesmo empenho que dedicam à discussão sobre quando, como e de que cor são os papéis que solicitam ou a popularidade dos artistas de determinada festa”, afirmou.
PSD defende pacto de regime para o futuro da ESTH
O desenvolvimento económico foi também associado à ligação entre as empresas, o Município e as instituições de ensino, que Paulo Hortênsio considera essencial para criar oportunidades de emprego e fixar jovens. O vereador manifestou satisfação “com a aproximação do Município” à Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH), mas defendeu que a discussão sobre o futuro do ensino superior em Seia deve avançar com maior rapidez.
O PSD propõe um “pacto de regime” que envolva as diferentes forças políticas e instituições na defesa do futuro da ESTH. O objetivo passa por valorizar a formação, reforçar a ligação ao mercado de trabalho e contribuir para a atração de estudantes e empresas. Paulo Hortênsio considera que o Município deve assumir um “papel mais ativo” neste processo, sem transferir essa responsabilidade exclusivamente para outras entidades.
Luciano Ribeiro quer envolver a Universidade no debate
Relativamente à proposta do PSD, Luciano Ribeiro afirmou que “são públicos os apoios e as ações” desenvolvidos pelo Município e manifestou disponibilidade para alargar o debate sobre o ensino superior em Seia. “Sempre disponíveis para debater e envolver o máximo de pessoas na defesa e na promoção do ensino superior em Seia”, declarou o presidente da Câmara.
O autarca defendeu, contudo, que a discussão deve envolver as entidades com responsabilidade direta na concretização das medidas que vierem a ser definidas. “Esse debate não pode ser feito no ar, por todos, menos aqueles que de facto têm mais responsabilidade e terão que implementar as conclusões desse debate”, afirmou, identificando a Universidade Politécnica da Guarda (UPG) como “o principal parceiro”.
A posição do presidente aponta, assim, para a necessidade de envolver a instituição de ensino superior no debate sobre o futuro da ESTH e na definição de eventuais medidas a implementar.
Valorizar o turismo e os produtos locais
A promoção turística do concelho e a valorização dos recursos endógenos foram igualmente apontadas pelo PSD como áreas importantes para o desenvolvimento económico. Paulo Hortênsio defendeu “uma estratégia que permita atrair investimento, apoiar as empresas, valorizar o comércio local, criar condições para fixar população e aproveitar o potencial turístico”, reforçando também a ligação entre empresas e instituições de ensino.
O vereador considera que Seia dispõe de recursos naturais, históricos, culturais e gastronómicos que devem ser aproveitados de forma articulada, transformando-os “numa verdadeira estratégia de valorização económica e territorial”.
O PSD defende que o concelho “não pode ser apenas um lugar de passagem” e deve tornar-se um território “onde as pessoas queiram ficar, investir e voltar”. Para isso, considera importante aumentar o tempo de permanência dos visitantes e o retorno económico para o comércio e as empresas locais.
A última FIAGRIS realizou-se em 2010
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