Baixa procura dos cursos coloca futuro da Escola Superior de Turismo e Hotelaria em debate
Lúcia Leitão questionou a capacidade da escola para atrair estudantes e defendeu uma reflexão sobre a oferta formativa, ligação às empresas e futuro da instituição. Luciano Ribeiro diz que Município e escola estão a trabalhar para captar alunos.
O futuro da Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH), em Seia, voltou a ser questionado na Assembleia Municipal, com Lúcia Leitão, do PSD, a defender uma reflexão sobre a oferta formativa e a capacidade da instituição para atrair e fixar estudantes.

A deputada reconheceu o esforço do Município no apoio aos alunos, nomeadamente através do financiamento das propinas dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), mas considerou que estas medidas, apesar de importantes para as famílias, não constituem por si só “soluções estruturantes”.
Para Lúcia Leitão, a capacidade de atração da ESTH depende também da existência de “cursos competitivos, boas perspetivas de empregabilidade, transportes, atratividade académica, ligação às empresas e promoção nacional e internacional”.
Procura dos cursos preocupa PSD
A deputada chamou a atenção para os “contrastes geográficos” na procura dos cursos de turismo e hotelaria no acesso ao ensino superior e considerou que a “tendência de redução” da procura não pode ser analisada apenas como um “fenómeno pontual”.
Lúcia Leitão recordou um estudo realizado por professores da própria escola que, segundo afirmou, identifica uma “tendência de declínio” da procura desde 2009/2010. Na sua leitura, a situação atual resulta de uma “tendência prolongada” e deve levar a uma “reflexão sobre o futuro” da instituição.
A deputada questionou ainda se a oferta formativa atual “corresponde aos anseios” dos estudantes e às necessidades do mercado de trabalho. Entre as questões colocadas esteve também a relação da ESTH com o tecido empresarial local e o papel que uma instituição de ensino superior deve desempenhar na definição das estratégias de desenvolvimento turístico do concelho.
Necessidade de adaptar a oferta
Lúcia Leitão considerou ainda que a oferta formativa deve acompanhar a evolução das áreas de maior procura, questionando se algumas das formações atualmente existentes continuam a ser suficientemente atrativas para os estudantes.
A deputada colocou igualmente em discussão a possibilidade de repensar outras áreas de formação e recordou a evolução histórica da escola, que começou por integrar uma vertente ligada às telecomunicações.
“Se a Escola Superior de Turismo e Hotelaria começou como uma Escola Superior de Turismo e Telecomunicações, porque é que se abandonou definitivamente esta vertente? Ou não se procuraram outras de acordo com a evolução socioeconómica do país? Hoje há cursos que fazem mais sentido do que faziam há 10 anos atrás”, referiu.
Outro dos temas levantados foi a transformação do Instituto Politécnico da Guarda em Universidade Técnica e os possíveis reflexos que essa alteração poderá ter na ESTH. Lúcia Leitão defendeu que esta mudança poderá constituir uma “oportunidade para repensar uma profunda reestruturação” da escola e encontrar novas estratégias para aumentar a sua capacidade de atração.
Município diz que prioridade é ter alunos
Na resposta, Luciano Ribeiro reconheceu que a ESTH é uma preocupação do Município e afirmou que a Câmara tem procurado trabalhar em parceria com a instituição. O presidente salientou, contudo, que o Município “não pode substituir-se” à escola nas decisões relativas à oferta formativa.
Relativamente aos CTeSP, revelou que tem existido um trabalho de promoção junto de antigos alunos que atualmente são diretores de escolas ou responsáveis por cursos profissionais na área do turismo. O objetivo passa por criar uma rede que permita encaminhar estudantes para os CTeSP e, posteriormente, para o ensino superior ou para o mercado de trabalho.
Luciano Ribeiro referiu ainda a atualização de um acordo de cooperação com a Universidade Politécnica da Guarda relativamente ao alojamento estudantil. O autarca lamentou, neste contexto, a desistência do Governo em transformar a antiga cantina da Fisel numa residência de estudantes, considerando que seria preferível que a estrutura de alojamento prevista tivesse sido mantida.
Para Luciano Ribeiro, contudo, a questão fundamental continua a ser a capacidade de atrair estudantes. “O mais importante e estruturante é que haja alunos”, afirmou, defendendo que a oferta terá de se adaptar para responder às necessidades e preferências dos estudantes.
Primeira fase de candidatura colocou sete estudantes
Os resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026 ajudam a contextualizar a preocupação manifestada na Assembleia Municipal. A ESTH de Seia teve inicialmente a concurso 76 vagas, distribuídas por cinco licenciaturas, tendo sido colocados sete estudantes. No entanto, cinco dos colocados não efetuaram matrícula, pelo que apenas dois estudantes concretizaram a matrícula na primeira fase.
Os resultados da segunda fase do Concurso Nacional de Acesso estão previstos para 30 de setembro.
