Assembleia Municipal de Seia questiona reorganização do INEM e futuro da ambulância SIV
Bruno Félix pediu dados concretos sobre meios, tempos de resposta e eventual alteração da ambulância SIV do Hospital de Seia. Luciano Ribeiro diz que continua sem resposta sobre como será assegurada a capacidade de emergência médica no território.
A anunciada reorganização do Sistema Integrado de Emergência Médica e o futuro dos meios de emergência no concelho de Seia foram também levantados na Assembleia Municipal, com Bruno Félix a defender que o território deve ser analisado tendo em conta as suas características de baixa densidade e dispersão populacional.

O deputado do PS manifestou “preocupação com a eventual reafetação de ambulâncias” e com a possibilidade de “conversão de ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras”.
Para Bruno Félix, a realidade de Seia “não pode ser analisada com a de um território urbano densamente povoado e com unidades hospitalares próximas”. O concelho apresenta uma população dispersa por dezenas de localidades, inclui zonas de montanha e tem “distâncias significativas às unidades hospitalares de referência”, além de condições de circulação que “nem sempre permitem respostas rápidas”.
A estas características junta-se, segundo o deputado, o aumento sazonal da população provocado pela atividade turística, “aumentando significativamente a necessidade de resposta de emergência”.
Pedido de dados sobre tempos de resposta
Bruno Félix defendeu que a primeira questão a esclarecer é o impacto concreto que a reorganização do INEM terá no concelho. O deputado pediu informação sobre os meios que permanecerão disponíveis, a sua localização, os períodos de funcionamento e os meios que poderão ser retirados ou transferidos.
Considerou particularmente importante “conhecer os tempos médios de resposta” numa freguesia distante do centro de Seia atualmente registados e os tempos previstos depois da reorganização. “Quando falamos de emergência médica não estamos a falar de horas, estamos a falar de minutos”, afirmou.
A eventual alteração das SIV foi igualmente colocada em destaque, com Bruno Félix a questionar que “capacidade clínica deixa de estar disponível no terreno” caso uma ambulância seja substituída por uma viatura ligeira.
O deputado defendeu que devem ser conhecidos os profissionais, equipamentos e meios disponíveis e as circunstâncias em que seria necessário aguardar pela chegada de outro recurso. “Não basta dizer que existe uma viatura, temos de saber que resposta essa viatura consegue efetivamente prestar”, disse.
Preocupação com os Bombeiros
A intervenção abordou ainda o papel das corporações de bombeiros na resposta à emergência médica. Bruno Félix questionou o impacto que uma reorganização do sistema poderá ter sobre os bombeiros do concelho, nomeadamente caso “sejam chamados a assegurar mais serviços”. O deputado defendeu que qualquer aumento de responsabilidades deve ser acompanhado pelos “necessários recursos humanos, materiais e financeiros”.
A questão da baixa densidade populacional foi também colocada como um fator a ter em conta no planeamento dos meios de emergência. Segundo Bruno Félix, uma menor densidade populacional não pode significar uma resposta mais demorada, defendendo que “quanto maior é a distância, maior tem de ser a capacidade de antecipação de respostas instalada no território”.
Município ainda sem resposta sobre a SIV
Na resposta, Luciano Ribeiro afirmou que as corporações de bombeiros têm autonomia para decidir sobre a celebração de acordos relacionados com os Postos de Emergência Médica, tendo em conta as respetivas condições económico-financeiras.
O presidente da Câmara salientou, contudo, que a principal questão continua sem resposta: de que forma será garantida a capacidade de resposta atualmente assegurada pela SIV no território de Seia. “A resposta que uma SIV dá vai ser assegurada de que forma e como no nosso território. Isso até hoje ainda não tivemos resposta”, afirmou.
O autarca considerou, assim, que a questão não está apenas na existência de uma viatura, mas na capacidade concreta de resposta que será disponibilizada à população.
