Falta de água na Póvoa Velha leva Junta de Seia a pedir solução ao Município
Miguel Caetano alertou para problemas recorrentes durante os períodos de maior afluência turística. Luciano Ribeiro admite agravamento das dificuldades no verão e revela que está a ser preparado um projeto integrado para reforçar o sistema de abastecimento.
A falta de água na Póvoa Velha, durante os períodos de maior afluência turística, foi uma das questões colocadas por Miguel Caetano, presidente da Junta de Freguesia de Seia, na Assembleia Municipal.

O autarca começou por agradecer ao Município o apoio aprovado para a aquisição de um trator para a freguesia, mas aproveitou a intervenção para levar à Assembleia uma preocupação transmitida pelos moradores.
Segundo Miguel Caetano, nos meses de maior afluência turística, o aumento da população e do consumo provoca “problemas regulares no abastecimento de água” à aldeia. O presidente da Junta considerou que a situação “não pode ser encarada como normal” e defendeu que o crescimento turístico deve ser acompanhado pelo reforço das infraestruturas básicas. “Não podemos perder as pessoas que investem, que criam alojamento, quando não conseguimos garantir sequer o abastecimento de água regular”, afirmou.
A preocupação estende-se também aos residentes permanentes, que, segundo Miguel Caetano, “não podem ser prejudicados pelo aumento sazonal da procura”. O presidente da Junta questionou, por isso, o que já foi feito pelo Município, em articulação com a APdSE, para resolver o problema.
Município admite agravamento durante o verão
Na resposta, Luciano Ribeiro confirmou que durante o verão se verificou um agravamento das dificuldades de abastecimento na Póvoa Velha. O presidente da Câmara afirmou que o Município “acompanhou com proximidade” a situação, nomeadamente através da “constante reposição” de água no depósito intermédio da Senhora do Espinheiro. Segundo o autarca, a informação disponível aponta para que o reservatório não apresente atualmente qualquer fuga.
Luciano Ribeiro revelou ainda que “está a ser preparado um projeto integrado” para o sistema de abastecimento, abrangendo desde as captações e nascentes até à eventual alteração do reservatório. A intervenção deverá ser enquadrada numa candidatura a fundos comunitários, sendo considerada no âmbito de um conjunto mais vasto de sistemas de abastecimento existentes no concelho.
O presidente explicou que estes sistemas autónomos apresentam características e modelos de gestão diferentes daqueles que abastecem a cidade de Seia através da ETA da Senhora do Desterro.
Fontanários também foram questionados
Miguel Caetano colocou ainda uma segunda questão relacionada com os fontanários públicos existentes nas freguesias, dando conta de relatos de estruturas encerradas ou sem funcionamento.
Luciano Ribeiro esclareceu que a gestão dos fontanários é da responsabilidade das juntas de freguesia. O presidente explicou, contudo, que os fontanários alimentados por nascentes estão sujeitos à fiscalização da entidade gestora da água e que, por esse motivo, alguns apresentam informação relativa ao facto de a água não ser tratada.
Segundo o autarca, os fontanários não devem estar ligados à rede pública de abastecimento. Quando exista essa ligação, poderá ser criado um regime específico com o Município ou com a APdSE, mediante contador e com uma utilização adaptada, como um bebedouro. Luciano Ribeiro salientou que o objetivo é evitar que água tratada da rede pública seja utilizada de forma permanente nos fontanários, mantendo-se a distinção entre estes equipamentos e o abastecimento de água para consumo humano.
