Junta de Girabolhos exige que contrapartidas da barragem cheguem à freguesia
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A Junta de Freguesia de Girabolhos manifestou agrado pela posição assumida pelo presidente da Câmara Municipal de Seia relativamente ao processo da Barragem de Girabolhos, mas deixou críticas à forma como a freguesia tem sido tratada ao longo dos anos pelos sucessivos executivos camarários.

Numa publicação divulgada nas redes sociais, o executivo liderado por Armando Abrantes reconhece a preocupação expressa pelo autarca na defesa do interesse geral do concelho, mas lamenta que essa posição surja “na expectativa de beneficiar de uma obra cuja execução poderá ocorrer numa freguesia que tem sido votada ao abandono pelos sucessivos executivos camarários”.

A Junta sublinha que Girabolhos tem sido diretamente afetada pela existência do projeto da barragem, que há décadas paira sobre o território, sem que isso se tenha traduzido em investimento, desenvolvimento ou melhorias significativas para a população local. Nesse sentido, defende que eventuais contrapartidas associadas à concretização da obra não podem ficar apenas ao nível municipal.

“Que as contrapartidas pretendidas se concretizem, desta vez, também em Girabolhos”, refere a publicação.

A posição da Junta surge na sequência da reação da Câmara Municipal de Seia ao anúncio do Governo sobre o lançamento do concurso da Barragem de Girabolhos, feito sem contacto prévio com os municípios afetados. O Município acusou o Executivo de desrespeito institucional e exigiu que qualquer solução passe por compromissos claros do Estado, nomeadamente a correção imediata do tarifário da água em alta, que penaliza os concelhos do Interior, e a concretização de acessibilidades rodoviárias há décadas prometidas, como o IC6, IC7, IC37 e IC12.

“Mais do que a Barragem de Girabolhos, isto sim, são investimentos fundamentais para o desenvolvimento da região e para o bem-estar das suas populações”, sublinha Luciano Ribeiro, considerando que o Governo “tem de escolher entre continuar a usar o Interior como reserva de sacrifício ou assumir, de forma consequente, uma política de coesão territorial que respeite quem vive, trabalha e investe nestas regiões”.

No mesmo comunicado, a Câmara Municipal de Seia garante que “não abdica” de defender o seu território e as suas populações e “exige diálogo político sério, transparência nas decisões e justiça territorial”, tendo já solicitado uma audiência urgente à ministra do Ambiente e Energia.

Recorde-se que a Barragem de Girabolhos é considerada estratégica para o controlo de cheias no rio Mondego e abrange territórios dos concelhos de Seia, Gouveia, Fornos de Algodres, Nelas e Mangualde, estando prevista como uma infraestrutura de retenção de água, com eventual caráter multiusos.

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