Barragem de Girabolhos volta à agenda nacional como solução para travar cheias no Mondego
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A construção da barragem de Girabolhos, no concelho de Seia, volta a assumir um papel central na estratégia nacional de gestão da água, sendo apontada por agricultores, associações e responsáveis políticos como uma infraestrutura essencial para prevenir cheias no Mondego e garantir reservas hídricas num contexto de alterações climáticas.

A necessidade de avançar com este investimento ganha novo destaque após o Governo ter integrado Girabolhos na estratégia nacional “Água que Une”, apresentada em março em Coimbra, que prevê quase 300 medidas em todo o país até 2050, com um investimento global estimado em cinco mil milhões de euros.

Agricultores do Baixo Mondego defendem que sem a barragem de Girabolhos o sistema de regularização do Mondego permanece incompleto e não é possível garantir segurança face a cheias extremas. João Grilo, presidente da Associação de Agricultores do Vale do Mondego, alerta para a falta de regularização do rio Ceira e para a ausência de manutenção no canal central do Mondego, sublinhando que, nas cheias de 2019, mais de mil metros cúbicos por segundo entraram no Mondego provenientes de um rio “em estado selvagem”.

Além da necessidade de regularização dos afluentes, os agricultores apontam a degradação e falta de manutenção do canal central do Mondego, sublinhando que a vegetação no leito do rio e a ausência de intervenções preventivas agravam o risco de cheias.

Também Armindo Valente, vice-presidente da Associação de Beneficiários da Obra Hidroagrícola do Baixo Mondego, considera que a barragem de Girabolhos é prioritária. Na sua perspetiva, só com esta infraestrutura será possível garantir segurança face às cheias e assegurar água suficiente para a rega durante o verão, protegendo as zonas ribeirinhas e a cidade de Coimbra.

Suspensa em 2016, apesar de ter sido concessionada à Endesa, a barragem de Girabolhos voltou a ser assumida como prioridade pelo Governo, estando previsto um estudo para avaliar a viabilidade da construção, considerada determinante para aumentar a capacidade de retenção de água na bacia do Mondego e mitigar os efeitos de cheias e secas num contexto de alterações climáticas.

O próprio Programa Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Centro identifica Girabolhos como um projeto estratégico, tanto pela necessidade de reservas de água como pelo seu impacto na redução de riscos de cheia, prevendo ainda benefícios no abastecimento de água a populações da região de Viseu.

A Câmara Municipal de Seia manifesta abertura à construção da Barragem de Girabolhos, mas apenas se o projeto for acompanhado por investimentos estruturais que respondam às carências históricas da região. Entre as principais exigências do Município estão a concretização de infraestruturas rodoviárias há muito prometidas, como o IC6, entre Tábua, Seia e Covilhã, e o IC37, ligando Seia, Nelas e Viseu.

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