Itinerários da Serra da Estrela, Plano de Revitalização e Cogestão do Parque Natural nas reivindicações de Seia ao Governo
Publicidade

Luciano Ribeiro aproveitou a abertura da Feira do Queijo para reivindicar ao Governo a construção do IC6, IC7 e IC37, a implementação do Programa de Revitalização da Serra da Estrela, em especial as medidas concretas que não precisam de dinheiro mas apenas de alteração legislativa, e ainda sobre o plano de cogestão do Parque Natural, com os municípios a reivindicar uma melhor utilização dos recursos naturais e económicos.

O presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, começou a sua intervenção na abertura da 48ª edição da Feira do Queijo Serra da Estrela, que teve início no sábado e decorre até ao dia de Carnaval, para entregar a Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território – que fez a sua primeira visita oficial depois de ter tomado posse no cargo –, um conjunto de desafios, alguns deles a “serem reclamados há muitos anos”.

“Sempre reclamámos aquilo que é das maiores injustiças e a maior causa de desigualdade do território norte da Serra da Estrela para com outras regiões do país. É que quando falamos em despovoamento e coesão territorial, há uns que têm umas armas diferentes das outras, e no caso concreto desta região, não temos um quilómetro de um itinerário complementar, itinerário principal ou autoestrada que sirva Oliveira do Hospital, Seia, Gouveia ou Nelas. Portanto, é uma exigência que toda a região tem”, destacou o autarca.

Luciano Ribeiro pediu ao secretário de Estado para levar ao Governo, aos colegas das Infraestruturas, “para que possam conversar connosco”, numa altura em que “se anuncia”, através do Ministério das Infraestruturas e Habitação, “fortes investimentos na rodovia, mas só ouvimos falar mais uma vez da Área Metropolitana de Lisboa (AML)”, lamenta.

“Acreditamos que se houver dinheiro para um túnel entre a Trafaria e Algés, se há dinheiro para uma travessia para comboios e carros entre o norte e o sul da AML, com certeza também vai haver poucas centenas de milhares de euros para realizar os itinerários complementares (IC) da Serra da Estrela”, espera Luciano Ribeiro.

Em causa está a construção do IC6, IC7 e IC37, associados às ligações Coimbra-Seia-Covilhã (EN17/EN230), Coimbra-Seia-Celorico da Beira (EN17) e Viseu-Nelas-Seia (EN231), fundamentais para o desenvolvimento económico e social, além de aproximar distâncias entre localidades e facilitar a mobilidade de pessoas e mercadorias.

Luciano Ribeiro pediu “essa ajuda, essa colaboração”, para que “antes de decidirem apresentar um novo plano sobre intenções de investimentos – nós também já estamos cansados de intenções de investimento – possam pelo menos manter a intenção de melhorar ou não esquecer nessas intenções os IC’s da Serra da Estrela e a região norte da Serra da Estrela, cujos empresários não competem com as mesmas armas que outros territórios de Interior ou fora do Interior”, salientou.

Serra da Estrela deve “beneficiar de um regime fiscal mais favorável”

Sobre o Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PRPNSE), que está na dependência do governante, o autarca de Seia espera que até ao final do mês possa, acompanhado pelos restantes municípios do PNSE e com a CCDRC, “darmos passos concretos para avançar”.

Luciano Ribeiro não quis perder muito tempo sobre os 155 milhões de euros do programa, mas pediu “oportunidade de os executar”, sublinhando que o dinheiro “será bem aplicado em prol desta região”. Contudo, lançou dois desafios “que não custam dinheiro, custam coragem política”.

“A Serra da Estrela e em particular a Região das Beiras e Serra da Estrela pode, no âmbito das leis da concorrência da União Europeia, beneficiar de um regime fiscal mais favorável. E não digo isto com orgulho, porque se temos direito a esse benefício é porque somos das regiões da União Europeia que mais população perdeu, e esse é o nosso problema. E se perdemos população, perdemos desenvolvimento económico e é também por isso que temos direito a essa ajuda”, destacou Luciano Ribeiro.

O desafio é que o Governo, através do PRPNSE, “possa cumprir essa parte, que não tem dinheiro definido, apenas a intenção de legislar” sobre a criação de zonas económicas especiais, para que empresas e particulares tenham áreas seletivas em determinados processos e que a coesão territorial “seja colocada em primeiro lugar”, para que “não continue a ir tudo para o mesmo sítio”, lamenta.

O outro desafio é a cogestão do PNSE, em que os seis municípios “possam agarrar e tomar as rédeas do destino” da Serra da Estrela, seja na conservação, seja na gestão do turismo.

Luciano Ribeiro tem por hábito dizer que a cogestão permite “ficar com a despesa e com a receita”, além dos “esforços para a boa gestão do Parque Natural da Serra da Estrela”.

“São duas ações que carecem de debate, carecem de discussão, carecem de tempo para serem maturadas mas que não custam dinheiro”, salientou.

E quanto ao resto do Plano, “haveremos de ter oportunidade de discutir as oportunidades, a maturidade das ações” e, mais do que gastar o dinheiro, “é podermos discutir e avançar com estas medidas mais simples que são de legislação e que permitam também ter armas para competir”.

Para a implementação destes “desafios”, o presidente da Câmara de Seia espera que o secretário de Estado seja “parceiro e aliado” junto do Governo. “Temos em si a confiança de que possa levar ao Governo estas preocupações”, pediu.

 Governo promete apresentar medidas concretas para o território

Ao ouvir Luciano Ribeiro, o secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território parecia que “estava a ouvir” a deputada do PSD eleita pela Guarda, Dulcineia Moura, que “todas as semanas falava dos problemas do Interior”, confidenciou.

Como antigo autarca de Vagos, Silvério Regalado transmitiu na abertura da Feira do Queijo em Seia que estava “perfeitamente alinhado com as preocupações deste território”.

Prometeu levar “todas as preocupações do presidente de Câmara bem assinaladas” e aproveitou para referir que esta semana já esteve com o secretário de Estado das Florestas, para “tratar do plano para as florestas, que tem muito a ver com os territórios do Interior”. Promete reunir brevemente com a Comunidade Intermunicipal para analisar o plano de gestão da Serra da Estrela, que “mais do que palavras, mais do que boas intenções, temos que ter medidas efetivas para o território”.

“Estou em crer que o desenvolvimento económico é muito importante para que depois se possa alavancar todas as outras políticas para o território e, por isso, estar aqui numa Feira do Queijo, numa feira que defende os vossos produtos endógenos, que defende aquilo que é a realidade económica deste território, é extremamente importante”, reconhece.

Sobre o PRPNSE, adiantou que tem “as preocupações muito presentes”, estando ainda a “tomar conhecimento” de todos os dossiers. Promete continuar o trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo anterior governante no Ministério da Coesão Territorial, apresentando “medidas concretas para o território, medidas concretas que possam ir ao encontro das vossas preocupações”, estando em crer que dentro “de alguns meses” possa apresentar “um programa completo para o Interior, incluindo muitas das medidas que aqui falou e com as quais estou inteiramente de acordo”, salientou.

Silvério Regalado transmitiu a Luciano Ribeiro que pode contar com ele nesta “luta difícil que é termos maior coesão territorial”, tendo a certeza que “daqui por 10 anos poderemos estar aqui com a consciência tranquila que demos e fizemos tudo que estava ao nosso alcance”. Destacou que o objetivo deste Governo é “apresentar medidas concretas que resolvam e que vão ao encontro da vontade e das necessidades das pessoas”.

“Conte comigo, conte com este Governo e a Serra da Estrela pode sempre contar com esta coesão territorial com medidas concretas e não só da boca para fora”, finalizou.

Seia “tem das melhores e a maior Feira do Queijo”

A Feira do Queijo Serra da Estrela, que decorre até ao dia 4 de março, é para Luciano Ribeiro uma forma de prestar homenagem aos dinamizadores das tradições, da cultura e da economia, destacando os pastores, os produtores pecuários do concelho e da região, “responsáveis pela produção de produtos de qualidade que é reconhecida ao concelho de Seia”.

O presidente da Câmara Municipal salientou ainda toda a cadeia de valor ligada ao queijo, desde as queijeiras aos queijeiros mais pequenos, na lareira da sua casa, e ainda as unidades industriais, sublinhando que a feira “é uma homenagem, um agradecimento, que hoje temos para eles todos”.

“A melhor forma de homenagear e de agradecer é criar as condições para que possamos ter uma feira, uma boa feira”, declarou o autarca.

Para Luciano Ribeiro, Seia “tem das melhores e a maior Feira do Queijo, porque aquilo que queremos mesmo é uma feira que tenha negócio, que tenha transação económica, seja dos produtos do queijo, do enchido, do pão, do azeite, do mel, do artesanato e das tasquinhas”, afirma com confiança.

Pretendendo a valorização económica desses produtos, o presidente da Câmara Municipal de Seia declarou que o certame, que todos os anos decorre no fim de semana do Carnaval, “não é uma exposição, é uma feira” e que por isso tem “muito orgulho” no evento que reafirma Seia como um território de referência na produção deste queijo de Denominação de Origem Protegida (DOP).

Partilhe este artigo...