Salão Nobre da Câmara de Seia recebe cerimónia de casamento
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Cerimónia vai acolher cerca de 30 convidados e “não será” cobrado qualquer taxa. Tudo para “cumprir um sonho” do noivo.

O Salão Nobre da Câmara Municipal de Seia vai abrir no próximo sábado, 18 de janeiro, para acolher a cerimónia civil de um casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O assunto foi na passada sexta-feira abordado pela vereadora do PSD, Susana Ferreira, na reunião de Câmara, alertando para o fato de se estar a “abrir um precedente” ao permitir a realização de uma cerimónia de casamento no edifício.

“Não obstante um matrimónio ser um ato de caráter público, não deixa de ser de cariz privado e, portanto, a decisão de permitir a realização dessa cerimónia privada num salão do Município possa abrir precedentes e, talvez, banalizar um espaço de respeito, solene e oficial do Município”, sublinhou.

A vereadora questionou o presidente sobre que tipo de taxas “se paga por este tipo de serviço”, que funcionários vão estar ao serviço do Município para, a um sábado, zelar pela segurança do edifício.

Susana Ferreira tem dúvidas que a cedência do Salão Nobre traga “algum tipo de benefício, se é rentável ou não e se faz sentido”.

A ideia de casar neste tipo de espaços não é nova mas em Seia será a primeira vez.

O noivo, natural do concelho mas residente em França, “tinha o sonho” de se casar na Câmara Municipal, dada a grandeza do edifício. Quando contatou a autarquia explicou que “teria um gosto especial em poder casar-se neste solar”, adiantando também que a celebração de casamentos civis em edifícios públicos “são comuns” naquele país, motivo que levou Luciano Ribeiro a autorizar a cerimónia.

O presidente da Câmara Municipal achou o pedido “estranho”, mas analisada a situação, o tempo de duração da cerimónia (45 minutos) e o número de pessoas envolvidas (30), “não vi particular mal em poder satisfazer o sonho de alguém em querer casar-se no Município”.

“Não vi mal nenhum o senhor querer cumprir o sonho”, referiu Luciano Ribeiro, apesar de admitir que o Salão Nobre “não é o melhor sítio para casar”.

Quanto às dúvidas da vereadora do PSD, o autarca referiu que os noivos “não vão ter que pagar nada” à Câmara, porque “não está” previsto no Regulamento de Taxas. Caso o pedido fosse para o auditório da Casa Municipal da Cultura, a decisão já seria outra.

Por haver procura de espaços alternativos às conservatórias, casar em edifícios públicos municipais pode vir a tornar-se possível, referiu o autarca. “Podemos começar a fazer [destas cerimónias] uma nova ideia de negócio”, salientou.

Luciano Ribeiro transmitiu ainda que a responsável pelo protocolo no Município, Ana Fernandes, ofereceu-se para ajudar na preparação da cerimónia, adiantando que o próprio está “disponível” para vir abrir a porta.

“Qualquer dia está a disponibilizar o seu carro para transporte de noivos”, ironizou Susana Ferreira.

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