Dakar 2026: Paulo Oliveira termina estreia nos camiões com sentimento de missão cumprida
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Concluir o Rally Dakar é, por si só, uma vitória. Em 2026, o navegador Paulo Oliveira, natural de Seia, voltou a provar isso mesmo ao chegar ao fim da mais exigente prova de todo-o-terreno do mundo, numa edição particularmente dura, marcada por longas jornadas, navegação complexa, desgaste físico extremo e vários contratempos mecânicos.

Naquela que foi a sua quarta participação no Dakar e a estreia na categoria de camiões, Paulo Oliveira integrou a TH Trucks Team, ao lado do piloto espanhol Alberto Herrero e do mecânico Mario Rodriguez, concluindo a prova no 22º lugar da classificação geral dos camiões, após mais de duas semanas de competição intensa na Arábia Saudita.

Ao longo das 13 etapas, num total de cerca de 9.500 quilómetros, dos quais 4.500 cronometrados, a equipa enfrentou areia profunda, zonas rápidas, troços técnicos e etapas maratona sem assistência. “Foi uma grande aventura, muito desafiante e difícil, com muitas peripécias ao longo destes quilómetros”, resumiu Paulo Oliveira no final da prova.

Apesar de bons indicadores de competitividade, com um 12º lugar na etapa de sexta-feira e o 19º lugar no último dia, problemas mecânicos acabaram por condicionar a ambição da equipa. “Mostrámos para aquilo que viemos e que podíamos lutar por outros lugares, mas na 8ª etapa partimos o turbo e, na 9ª, voltámos a ter problemas, o que nos fez perder muito tempo”, explicou o navegador.

Ainda assim, o objetivo principal foi alcançado. “Trazíamos dois grandes objetivos: terminar o Dakar e divulgar a marca Turismo de Moçambique. O primeiro foi concretizado. Não terminámos da forma como queríamos, mas conseguimos levar a nossa bandeira bem alto no maior palco do todo-o-terreno mundial”, afirmou.

Com passagens anteriores pelas motas, SSV e categoria Classic, Paulo Oliveira passa agora a integrar o restrito grupo de pilotos que completaram o Dakar em quatro categorias diferentes. Aos 52 anos, o navegador natural de Seia continua a conciliar a competição de alto nível com a sua atividade profissional como administrador do Grupo Salvador Caetano em Moçambique, mantendo-se como uma referência de resiliência e longevidade no desporto motorizado.

A vertente emocional também marcou esta edição. “Houve dias em que pensei que não iríamos conseguir. Houve lágrimas nos bastidores, mas também muitas alegrias. As centenas de mensagens que recebi foram uma verdadeira vitamina”, confessou, sublinhando que sai do Dakar 2026 “realizado e com um sentimento de dever cumprido”.

A participação de Paulo Oliveira voltou, assim, a projetar o nome de Seia e da Serra da Estrela num palco de dimensão internacional, reforçando a presença portuguesa numa prova onde apenas os mais preparados resistem até ao fim, porque, no Dakar, chegar ao fim é vencer.

📸 Facebook de Paulo Oliveira

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