Falhas no abastecimento de água em Valezim motivam alerta na Assembleia Municipal
As frequentes falhas no abastecimento de água na freguesia de Valezim estiveram em destaque na Assembleia Municipal de Seia, com o presidente da Junta, Pedro Martins, a denunciar um problema “estrutural e recorrente” que tem afetado a população.
Na sua intervenção, o autarca elencou vários episódios recentes de interrupção no fornecimento de água, ocorridos entre outubro e abril, sublinhando que não se tratam de situações pontuais, mas sim de uma falha persistente no sistema. “A população de Valezim não pode continuar a viver com incerteza sempre que abre uma torneira”, afirmou.
Além dos constrangimentos no dia a dia, Pedro Martins criticou também o custo do serviço, considerando que “o preço cobrado não reflete a qualidade do serviço”, sobretudo tendo em conta que a água é captada localmente “sem custos de aquisição da matéria-prima”. O presidente da Junta referiu ainda que já foram feitos vários contactos com a entidade gestora, a APdSE, “sem resultados satisfatórios”, tendo mesmo sido apresentada uma reclamação junto da entidade reguladora.
Perante a falta de resposta, a Junta de Freguesia disponibilizou-se para colaborar na solução, propondo, nomeadamente, o financiamento de um sistema de monitorização do depósito de água, proposta que “não foi acolhida”.
Município admite problemas e aponta solução para 2026
Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, reconheceu os problemas no sistema de abastecimento, referindo que estes ocorrem com maior frequência no outono e na primavera, devido às condições naturais da captação e ao estado do reservatório.
O autarca admitiu que tanto a rede de distribuição como o sistema de saneamento “necessitam de um investimento estrutural significativo”, estimado em cerca de 800 mil euros. No entanto, adiantou que “será possível mitigar o problema” com uma intervenção mais reduzida, na ordem dos 50 mil euros, focada na captação e no reservatório.
Segundo Luciano Ribeiro, essa intervenção está prevista no Plano de Atividades da APdSE para 2026. Ainda assim, deixou o alerta de que, até lá, a situação poderá repetir-se, manifestando a expectativa de que o problema venha a ser resolvido: “Espero que, já que não vamos a tempo desta primavera, no próximo outono não voltemos a ter os mesmos problemas”.
