Derrocada na Avenida 1º de Maio em Seia preocupa Assembleia Municipal e levanta questões de segurança
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A situação de instabilidade de um talude na Avenida 1.º de Maio, em Seia, esteve em destaque na Assembleia Municipal, com o deputado municipal do Chega João Tilly a alertar para o risco que considera existir para moradores e estabelecimentos comerciais.

Na sua intervenção, o eleito descreveu o cenário como “uma das situações mais problemáticas e perigosas do concelho”, referindo que a derrocada ocorrida em janeiro agravou um problema antigo, com impacto direto em vários apartamentos. Segundo relatou, há habitações onde a terra já atinge níveis próximos do segundo andar, provocando infiltrações, fissuras nas paredes e impossibilitando a utilização de algumas divisões. “Ninguém pode dormir naqueles quartos com medo que durante a noite aquilo desmorone tudo e ficam soterrados”, alertou.

João Tilly afirmou ainda que existem espaços comerciais encerrados na sequência da situação e alertou para o risco de agravamento, defendendo a necessidade de uma intervenção estrutural urgente. “Está em causa a vida das pessoas”, sublinhou, admitindo que a solução poderá passar por uma obra de engenharia de grande dimensão ou, em alternativa, pela evacuação dos moradores.

Câmara acompanha situação e aponta responsabilidade do proprietário

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, reconheceu a complexidade do caso, explicando que se trata de um problema com origem em intervenções realizadas há várias décadas.

O autarca garantiu que o município tem acompanhado a situação, mantendo contactos com os condomínios e com o proprietário do terreno, que já iniciou trabalhos de remoção de terras nas últimas semanas. Referiu também que os serviços municipais têm colaborado na mitigação de impactos, nomeadamente na drenagem de águas para evitar danos adicionais.

Luciano Ribeiro destacou que se trata de um terreno privado, sendo a intervenção da responsabilidade do proprietário, embora o município esteja a acompanhar o processo e a exigir soluções. Ainda assim, admitiu que, caso a situação o justifique, poderá ser acionada uma solução administrativa de emergência.

“Entre salvar vidas e aguardar pela intervenção do privado, preferimos agir”, afirmou, admitindo o recurso à posse administrativa caso se verifique risco iminente.

Município identifica outros casos e admite necessidade de estudos técnicos

Durante a resposta, o presidente da Câmara referiu ainda que existem outros pontos do concelho com problemas semelhantes de instabilidade de solos, nomeadamente em Vila Cova e Sandomil, alguns dos quais estão a ser analisados com o apoio de especialistas em geologia e geotecnia.

Segundo explicou, estas situações exigem estudos técnicos aprofundados e soluções complexas, muitas vezes associadas a intervenções antigas no território, o que dificulta uma resolução rápida.

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