Quatro sapadores de Seia acusados de abusos saem em liberdade com pulseira eletrónica
O Tribunal de Seia colocou em liberdade, com pulseira eletrónica, os quatro sapadores florestais detidos por suspeita de violação, proibindo-os de exercer funções e de contactar entre si ou com a vítima. Câmara Municipal afirma estar a colaborar com a Justiça e reitera o compromisso com a legalidade, aguardando o desfecho do processo judicial.
O Tribunal de Seia determinou a libertação dos quatro bombeiros-sapadores florestais do Município de Seia detidos por suspeita de crimes de violação, coação, coação sexual agravada e perseguição, aplicando-lhes, contudo, medidas de coação consideradas gravosas.
Os arguidos ficam sujeitos a vigilância eletrónica, estão proibidos de contactar entre si e de contactar com a vítima e obrigados a apresentações semanais no posto da GNR da área de residência. O juiz de instrução decidiu ainda que, a partir deste momento, não podem exercer qualquer função na autarquia.
Segundo o Correio da Manhã, nenhum dos arguidos prestou declarações em primeiro interrogatório judicial, tendo todos optado pelo silêncio.
A detenção foi efetuada pela Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal da Guarda, no âmbito da operação “Dignidade” e de um inquérito titulado pelo DIAP da Guarda.
Em comunicado, a PJ informou que os quatro detidos, com idades entre os 40 e os 51 anos, estão “fortemente indiciados pela prática dos crimes de violação, coação, coação sexual agravada e perseguição”.
De acordo com a investigação, os alegados crimes terão ocorrido em contexto laboral, “em locais ermos onde desenvolviam a sua atividade”, sendo a vítima um homem de 61 anos, assistente operacional com funções de vigilância florestal, integrado na mesma equipa de sapadores.
A autoridade refere ainda que, “desde setembro de 2018, a vítima foi sujeita a atos sexuais violentos, ações vexatórias e ofensas sexuais, quase diariamente”. A investigação teve início após denúncia apresentada pela própria vítima à GNR de Seia, motivada pelo seu “estado de saúde periclitante, resultante das ações que sofreu ao longo dos anos”.
Câmara de Seia colaborou com autoridades e aguarda desfecho judicial
Na sequência das detenções, a Câmara Municipal de Seia emitiu uma nota de esclarecimento, sublinhando que “tem vindo a colaborar com as autoridades competentes” e que “remeteu oportunamente ao Ministério Público o processo de averiguações interno realizado sobre a situação”.
A autarquia recorda que foram adotadas e mantidas “medidas cautelares, designadamente a transferência do trabalhador que apresentou a queixa para outro serviço, por forma a evitar qualquer contacto com os alegados agressores, garantindo igualmente o seu acompanhamento psicossocial”.
O Município informou ainda que “aguarda o desfecho do processo judicial, no âmbito do qual pretende constituir-se assistente”, com vista a “concluir os procedimentos internos instaurados, nomeadamente os processos disciplinares”.
“A Câmara Municipal de Seia reitera o seu compromisso com a legalidade, a ética e a segurança de todos os seus trabalhadores”, finaliza.
Recorde-se que o Seia Digital noticiou, em dezembro passado, as denúncias relacionadas com alegadas situações ocorridas no seio da equipa de sapadores florestais, voltando ao tema em janeiro, quando se tornou público que a Polícia Judiciária se encontrava a investigar o caso.
