Futuro do Hospital de Seia gera debate na Assembleia Municipal
Carlos Coito recuperou decisões políticas anteriores relacionadas com o hospital, enquanto Bruno Félix defendeu uma análise séria e desapaixonada. Luciano Ribeiro afirmou que a prioridade deve ser melhorar os serviços e destacou o aumento da atividade hospitalar.
A eventual transferência da gestão do Hospital Nossa Senhora da Assunção para a Santa Casa da Misericórdia de Seia marcou o debate na Assembleia Municipal, na sequência das referências a esta possibilidade na informação escrita apresentada pelo presidente da Câmara.

Carlos Coito, do PSD, centrou a sua intervenção nas decisões políticas tomadas no passado e nas obras realizadas “no Hospital da Misericórdia”, considerando que as opções então tomadas “têm agora influência” na discussão sobre o futuro da unidade hospitalar.
Já Bruno Félix, do PS, defendeu uma abordagem “séria e desapaixonada” ao tema, considerando que, até ao momento, a possibilidade de transferência da gestão “não passa de mera especulação, sem uma base concreta” conhecida.
O deputado socialista sublinhou, contudo, que a discussão “merece reflexão” e que o Hospital de Seia deve ser considerado um equipamento estratégico para o concelho e para a região, tendo em conta a dispersão populacional, o envelhecimento e a distância aos grandes centros hospitalares.
“O Hospital de Seia é um equipamento estratégico para o nosso concelho, para toda a Serra da Estrela, tem tido o reforço das suas capacidades, ao contrário do que muitos pensam, nomeadamente na produção cirúrgica”, adiantou.

Bruno Félix defendeu que a questão essencial não deve ser apenas saber quem administra o hospital, mas garantir que os cidadãos continuam a ter acesso aos mesmos ou melhores cuidados de saúde. Nesse sentido, considerou que qualquer eventual alteração da gestão deverá ser acompanhada por um “plano com financiamento, metas, indicadores públicos de desempenho e compromissos concretos para a população”, porque o que está em causa “é o futuro do acesso aos cuidados de saúde de milhares de pessoas” desta região.
O deputado defendeu ainda que não deve existir uma oposição baseada apenas em critérios ideológicos. Caso uma eventual mudança permita aumentar o número de médicos ou serviços, “teremos a honestidade de o reconhecer”, mas qualquer tentativa de “transformar o hospital público num hospital de mínimos” deverá igualmente ser contestada, afirmou.
Luciano Ribeiro coloca o foco nos serviços
Na resposta aos deputados, Luciano Ribeiro afirmou que a sua principal preocupação é garantir que “as pessoas sejam servidas”, independentemente de quem assegure a gestão da unidade. O presidente da Câmara considerou que a discussão deve ser feita com “parcimónia, com dados e factos”, lembrando que as reações à possibilidade de transferência foram diversas entre trabalhadores, cidadãos e diferentes setores políticos.
Luciano Ribeiro recordou ainda que, mesmo num cenário de transferência da gestão, os hospitais geridos por Misericórdias continuam integrados no Serviço Nacional de Saúde, segundo o enquadramento legal a que fez referência.
O autarca destacou, por outro lado, a evolução recente do Hospital Nossa Senhora da Assunção, apontando um aumento da atividade, nomeadamente da produção cirúrgica, e a abertura de novas áreas de resposta. Entre os exemplos referidos esteve a área de ortopedia, estando também a ser desenvolvidas outras respostas.
Luciano Ribeiro reconheceu que continuam a existir problemas e necessidades de investimento, incluindo a necessidade de melhorar as condições físicas do hospital e resolver situações como o sistema de climatização.
O presidente da Câmara considerou, contudo, que a evolução da atividade da unidade deve também ser valorizada. “Nem tudo é uma tragédia”, afirmou, defendendo que, quando existem melhorias e colaboração entre o Município e a administração da ULS da Guarda, essas evoluções também devem ser reconhecidas.
“Estamos focados em melhorar aquilo que temos, não em discutir coisas no ar”, afirmou Luciano Ribeiro, referindo-se também às reações provocadas pelas declarações de Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, em julho. O autarca afirmou que não esperava que um discurso então proferido viesse a “causar um terramoto em Seia”.
Perante a intervenção de Carlos Coito sobre as decisões políticas relacionadas com as obras realizadas no passado, Luciano Ribeiro considerou que essa questão pertence à história do concelho. O autarca defendeu que, caso essas decisões não tivessem sido tomadas, o debate atual poderia ser outro, centrado na necessidade de construir uma nova unidade hospitalar. “A verdade é que temos um hospital novo e podemos discutir quem é que o gere”, afirmou.
