Gravuras Rupestres de Vide entram em vias de classificação nacional 26 anos após primeiras descobertas
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As Gravuras Rupestres de Vide, no concelho de Seia, entraram oficialmente em vias de classificação de âmbito nacional, após a publicação em Diário da República do anúncio de abertura do respetivo procedimento pelo Património Cultural, I.P..

O despacho agora publicado representa um passo histórico na valorização e proteção de um dos mais importantes conjuntos de arte rupestre identificados na região Centro nas últimas décadas, culminando um percurso iniciado há mais de 25 anos com as descobertas arqueológicas divulgadas pela Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA).

Os primeiros achados foram tornados públicos em março de 2000, na sequência de trabalhos arqueológicos desenvolvidos nas bacias hidrográficas dos rios Alva e Ceira. As gravuras foram identificadas em vários afloramentos xistosos localizados na freguesia de Vide, nomeadamente nos sítios de Carvalhinho, Ferraduras e Fontes do Cide, junto às ribeiras de Alvoco e do Piódão.

Desde então, múltiplas reportagens e estudos científicos deram conta da relevância patrimonial dos vestígios, considerados pelos investigadores como exemplos inéditos de arte rupestre pré e proto-histórica na Serra do Açor e Serra da Estrela. Ao longo dos anos foram identificadas representações geométricas, círculos, motivos solares, antropomorfos, podomorfos e figuras filiformes atribuídas a períodos compreendidos entre o Neolítico, Calcolítico, Idade do Bronze e Idade do Ferro.

O procedimento agora aberto contempla “as gravuras do Carvalhinho, das Ferraduras, da Abelheira, das Fontes do Cide e da Ribeira”, situadas na Serra do Açor, na União de Freguesias de Vide e Cabeça, no concelho de Seia. Segundo o anúncio publicado em Diário da República, os bens passam a estar “em vias de classificação”, assim como “os imóveis localizados na zona geral de proteção (50 metros contados a partir dos seus limites externos)”,  nos termos da Lei do Património Cultural.

De acordo com o despacho do Património Cultural, os elementos relevantes do processo (fundamentação, despacho e plantas com a delimitação das gravuras em vias de classificação e da respetiva zona geral de proteção – ZGP) encontram-se disponíveis nas páginas eletrónicas do Património Cultural, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e da Câmara Municipal de Seia.

O documento refere ainda que os interessados “poderão reclamar ou interpor recurso hierárquico do ato que decide a abertura do procedimento de classificação, nos termos e condições estabelecidas no Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da possibilidade de impugnação contenciosa”.

As descobertas arqueológicas motivaram, desde o início dos anos 2000, diversas propostas de valorização patrimonial e turística. Entre elas esteve a criação do Centro de Interpretação de Arte Rupestre de Vide, inaugurado em maio de 2008 pela APIA em colaboração com a Junta de Freguesia de Vide, instalado na antiga escola primária da localidade, com o objetivo de divulgar os vários núcleos rupestres existentes nas bacias hidrográficas dos rios Alva e Ceira.

Ao longo dos anos foram também defendidos projetos para a criação de um parque arqueológico e circuitos turístico-culturais envolvendo as aldeias de montanha da região, associando património, natureza e turismo cultural.

Na altura das primeiras investigações, arqueólogos como Nuno Miguel Ribeiro e António Martinho Baptista alertavam já para a importância científica dos achados, defendendo a necessidade urgente de levantamento, preservação e classificação dos sítios rupestres.

Mais de duas décadas depois, a abertura do procedimento de classificação nacional representa o reconhecimento oficial do valor histórico, arqueológico e cultural deste património singular da Serra do Açor, cuja importância foi sendo documentada ao longo dos anos pela investigação arqueológica e pela imprensa regional.

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