Comissão Independente conclui que resposta aos incêndios de 2025 foi insuficiente
Relatório entregue à Assembleia da República aponta falhas na prevenção, no combate e na gestão do território e deixa 20 recomendações para reforçar a resposta aos fogos rurais.
A Comissão Técnica Independente para a Avaliação dos Incêndios Rurais de 2025 concluiu que a resposta operacional e a gestão do território foram insuficientes para conter a propagação dos grandes incêndios, apesar das condições meteorológicas extremas registadas nesse ano. As conclusões constam do relatório final entregue à Assembleia da República.
O documento identifica limitações na prevenção, no combate e na implementação das políticas de gestão integrada de fogos rurais, considerando que a área ardida registada em 2025 ultrapassou o que seria expectável, mesmo tendo em conta as condições climáticas adversas.
Segundo o relatório, em 2025 foram registados 8.256 incêndios rurais, que consumiram 271.587 hectares, correspondendo à quarta maior área ardida de sempre em Portugal continental e ao maior incêndio alguma vez registado no país.
Entre as principais fragilidades identificadas estão a reduzida execução da gestão de combustíveis, uma resposta operacional considerada demasiado reativa, dificuldades na antecipação do comportamento dos incêndios, insuficiente apoio técnico às operações e falta de recursos humanos especializados.
A comissão refere ainda que, em muitos momentos, os meios de combate tiveram de ser concentrados na proteção de povoações e infraestruturas, permitindo a progressão dos incêndios para outras áreas, apontando igualmente falhas na comunicação de emergência e na preparação das populações.
O relatório reconhece que, após os grandes incêndios de 2017, foram implementadas diversas reformas no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR). No entanto, conclui que muitas das medidas previstas continuam por concretizar, não tendo sido alcançados os resultados esperados na redução dos grandes incêndios e dos seus impactos.
A análise incidiu sobre os 11 maiores incêndios de 2025, todos com mais de cinco mil hectares de área ardida, abrangendo 34 concelhos, e incluiu audições a entidades, questionários a operacionais, dirigentes e população, bem como a avaliação da resposta operacional, da comunicação e das políticas públicas implementadas.
No final, a Comissão apresenta 20 recomendações destinadas a reforçar a prevenção, a preparação, a coordenação operacional e a capacidade de resposta aos incêndios rurais.
Recorde-se que, como o Seia Digital acompanhou ao longo de 2025, o incêndio com início no Piódão, em Arganil, foi o mais devastador desse ano. As chamas alastraram durante 12 dias aos concelhos de Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Seia, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, consumindo 65.417 hectares, tornando-se o maior incêndio alguma vez registado em Portugal.
