Junta de Meruge denuncia nova descarga poluente no Rio Cobral e acusa autoridades de inação
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A Junta de Freguesia de Meruge denunciou esta quinta-feira, 21 de maio, uma nova descarga de efluentes poluentes no Rio Cobral, alegadamente proveniente de fábricas de queijo localizadas na zona da Catraia de São Romão e Carragozela, no concelho de Seia. A autarquia fala numa situação “particularmente grave” e acusa as autoridades ambientais e governamentais de permitirem a continuidade de um problema que afirma arrastar-se há mais de duas décadas.

Em comunicado, o presidente da Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu, refere que “o Rio Cobral está a sofrer neste momento mais uma descarga brutal de efluentes poluentes”, denunciando a acumulação de espuma no leito do rio, água “branca da cor do leite”, maus odores intensos e a proliferação de insetos junto às zonas ribeirinhas de Meruge.

Segundo a autarquia, o abaixamento do caudal e as temperaturas elevadas agravaram os impactos ambientais da descarga, tornando a situação “particularmente grave” para as populações locais.

A Junta de Meruge afirma ter apresentado “mais de uma centena” de comunicações e participações formais à Agência Portuguesa do Ambiente, ao SEPNA, à Inspeção do Ambiente e a outras entidades competentes, sem que, sustenta, tenham sido tomadas medidas eficazes para travar o problema. “É uma frustração absoluta para as populações e para a Junta e a comprovação plena da impunidade de que gozam estes poluidores contumazes, perante a incapacidade do Estado de Direito impor a sua autoridade”, refere.

No comunicado, a autarquia critica aquilo que considera ser a “impunidade dos poluidores” e defende que o Governo deve avançar com a suspensão das licenças de descarga concedidas às unidades fabris, bem como impor controlos mais apertados sobre os efluentes industriais produzidos.

Entre as soluções propostas volta a surgir a criação de uma ETAR coletiva destinada ao tratamento dos efluentes das fábricas de queijo da região, uma reivindicação antiga da freguesia.

“O Estado Português não pode ser forte com os fracos e fraco com os fortes”, afirma João Abreu, defendendo que as populações das margens do Rio Cobral “merecem mais respeito pela sua saúde e pelo seu bem-estar”.

Esta não é a primeira vez que a Junta de Meruge denuncia episódios de poluição no Rio Cobral. Em janeiro de 2025, a autarquia já tinha acusado as fábricas de queijo de promoverem “descargas criminosas” e de beneficiarem de uma alegada passividade das entidades fiscalizadoras. Mais recentemente, em dezembro de 2025, voltou a denunciar uma descarga de espuma e resíduos lácteos, apelando então a uma reunião urgente entre municípios, Governo e autoridades ambientais para encontrar soluções.

Até ao momento, não é conhecida qualquer reação oficial por parte das empresas visadas ou das entidades mencionadas pela Junta de Freguesia.

📸 Freguesia Meruge

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