Meruge denuncia “descarga criminosa” das fábricas de queijo de Seia no rio Cobral
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A Junta de Freguesia de Meruge, no concelho de Oliveira do Hospital, condena “mais uma criminosa descarga de efluentes industriais das quatro fábricas de queijo situadas na Catraia de S. Romão/Carragosela, no leito do Rio Cobral”.

Em comunicado, a autarquia presidida por João Abreu (CDU) qualifica esta ação dos empresários do concelho de Seia como “um crime ambiental reiterado e impune há mais de 20 anos”.

“Acabou a safra do Natal, os tanques das fábricas estão cheios, vá de lhes abrir, pois sabem que têm as ‘costas quentes’ e por isso o crime compensa. Nem as autoridades municipais, nem os serviços do Ministério do Ambiente, nem as autoridades policiais fazem nada para travar esta manifestação de arrogância e desrespeito pelas mais elementares leis e regras de responsabilidade ambiental”, salienta a Junta de Freguesia.

“Quem protege os prevaricadores? Quem licencia e não fiscaliza as fábricas de produção do dito Queijo da Serra, feito com leite importado de vários países? As entidades oficiais, Câmara de Seia, Ministério do Ambiente, GNR, APA e outras entidades não podem fazer vista grossa a esta reiterada e gravosa poluição dos prados, dos lençóis freáticos, das margens do Rio Cobral, que põe em risco a saúde e a qualidade de vida das populações ribeirinhas das localidades de Torrozelo, Várzea de Meruge e Meruge”, alerta.

A autarquia adianta que “têm sido inúmeros os Abaixo-assinados, visitas de grupos parlamentares, moções nas assembleias municipais, relatórios (inócuos) da APA e de outras entidades denunciando a situação e exigindo medidas que ponham cobro a esta selvajaria. Nada trava os criminosos que, recorrentemente, abrem as comportas dos seus tanques de retenção das águas excedentes da produção do queijo, para o Rio Cobral”.

Lamenta ainda que os governos e as autoridades “têm mão pesada para quem ‘rouba um pão’ num supermercado porque tem fome, mas são complacentes com aqueles que do cimo do seu poder económico agem fora da lei, absolutamente impunes”.

Para a solução deste problema, a Junta de Freguesia de Meruge tem vindo a propor “a construção de uma ETAR colectiva (para todas as fábricas), dotada dos mais modernos métodos de tratamento dos efluentes lácteos”. Acrescenta que “têm de ser as autoridades municipais e governamentais a impor a solução aos industriais. Enquanto isso não for conseguido, prevalecerá a prática das ilegais descargas para o Rio Cobral, com a impunidade dos industriais garantida pelos poderes institucionais. Somos um Estado de Direito. Temos de agir como tal”.

A Freguesia de Meruge promete “mobilizar todos os seus cidadãos e a sua influência para denunciar esta tenebrosa iniquidade”.

📸 Freguesia Meruge

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