PS de Gouveia critica reabertura do debate sobre a Barragem de Girabolhos e aponta prioridades estruturais para a região
Publicidade

Os vereadores eleitos pelo Partido Socialista na Câmara Municipal de Gouveia tornaram público um posicionamento político sobre a eventual retoma do projeto da Barragem de Girabolhos, defendendo que o tema está a ser reintroduzido no debate nacional “de forma inoportuna” e desviando atenções das verdadeiras prioridades da região e do país.

No documento, assinado por Joana Viveiro, Conceição Salvador e Ruben Figueiredo, os eleitos socialistas consideram que a discussão surge “num momento de grande fragilidade para as populações afetadas pelas intempéries”, quando o foco deveria estar na avaliação da resposta às tempestades, na preparação do território para fenómenos extremos e no reforço da resiliência das comunidades.

Barragem não é solução imediata para as cheias

Os vereadores recordam que a Barragem de Girabolhos, prevista no Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico, “tinha como objetivo principal a produção de energia e não a regulação de caudais”. Sublinhando que a empresa Endesa “desistiu da sua construção em 2016 por falta de rentabilidade económica”, os autarcas alertam para o risco de simplificação excessiva do problema das cheias no Mondego.

De acordo com o comunicado, diversos especialistas têm salientado que a barragem, localizada a grande distância a montante, “não constitui, por si só, uma solução milagrosa e imediata para os problemas das cheias no Mondego”, por não ter capacidade para gerir diretamente os caudais de rios como o Alva e o Ceira, limitando o seu impacto na mitigação das inundações no Baixo Mondego.

O documento acrescenta que qualquer solução estrutural “teria sempre de ser articulada com a conclusão e modernização do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego e complementada com soluções baseadas na natureza”, como a criação de bacias de retenção, a recuperação do coberto florestal com espécies autóctones e o restauro ecológico dos cursos de água.

Os vereadores sublinham ainda que não existem, à data, estudos atualizados, projeto definido ou calendário realista para a concretização da infraestrutura, lembrando que processos desta dimensão podem prolongar-se por mais de uma década.

“A região merece respeito e rigor”

No posicionamento tornado público, os eleitos do PS defendem que “o concelho de Gouveia e a nossa região merecem respeito, verdade e rigor técnico”, questionando se a reabertura do debate, “sem bases sólidas”, pretende realmente “informar com rigor ou desviar atenções”.

Os autarcas destacam igualmente o papel da Serra da Estrela como a maior reserva de água doce do país e como território estratégico do ponto de vista ambiental, energético, agrícola e florestal, sublinhando a solidariedade histórica da região para com o restante território nacional.

Contudo, defendem que essa solidariedade deve ser acompanhada de reciprocidade, considerando que o Interior não pode apenas entrar na agenda nacional “quando a crise chega ao litoral”.

Prioridades estruturais continuam por concretizar

No comunicado, os vereadores socialistas elencam um conjunto de necessidades urgentes que continuam por responder, entre as quais as acessibilidades rodoviárias (IC6, IC7, IC37 e IC12), a garantia de fibra ótica estável e universal, um preço justo da água em alta e maior investimento em proteção civil e prevenção contra incêndios.

Os eleitos referem ainda o Programa de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PRPNSE), aprovado em 2024, cuja implementação continua dependente de financiamento, “apesar de cerca de 25% do Parque Natural da Serra da Estrela ter ardido nos incêndios de 2022”.

Para os vereadores do PS de Gouveia, “se existem recursos financeiros por parte do Estado para assumir rendas futuras, indemnizações ou investimentos indiretos ligados a esta barragem, então também têm de existir recursos para responder às necessidades que as populações reivindicam”.

“A Barragem de Girabolhos poderá eventualmente ter um papel no futuro, mas não substitui o investimento estrutural e urgente que a região exige”, destacam.

“O território merece ser tratado com a mesma prioridade e solidariedade que sempre demonstrou para com o país”, rematam.

Os vereadores socialistas afirmam ainda que “as populações deste território merecem que o país as trate com o mesmo respeito, a mesma prioridade e solidariedade que sempre demonstraram para com o país”, concluem.

Partilhe este artigo...