Aguiar-Branco quer jovens mais participativos e exigentes
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, pediu aos jovens em Seia para “serem exigentes e participantes” na defesa dos valores democráticos.
O presidente do Parlamento, que esta segunda-feira veio ao distrito da Guarda no âmbito da iniciativa “Parlamento Próximo”, em que participam também os deputados eleitos por aquele círculo eleitoral Dulcineia Moura (PSD), Ana Mendes Godinho (PS) e Nuno Simões e Melo (Chega), referiu aos representantes dos estudantes do Instituto Politécnico da Guarda que “é preciso que as pessoas intervenham civicamente”, pedindo sobretudo aos jovens para “serem exigentes, serem participantes”, porque “a última coisa que leva em democracia a resolver os problemas é a abstenção. A abstenção não leva a lado algum”, salientou.
Na sua intervenção, após um almoço que decorreu na Escola Superior de Turismo e Hotelaria, em Seia, Aguiar-Branco frisou a “necessidade de nos mobilizarmos”, pedindo à juventude para “estar interventiva, de participar e sentir uma maior proximidade” ao regime democrático.
“A liberdade, a participação e a mobilidade depende de nós, depende de todos”, sublinhou. “Em democracia não há capacidade de realizar seja o que for sem que haja pessoas disponíveis para o fazer”, defendeu Aguiar-Branco.

Politécnico da Guarda quer RJIES mais adequado às instituições do Interior
Na receção a Aguiar-Branco, o presidente do Politécnico da Guarda pediu aos deputados que considerem três aspetos quando a Assembleia da República discutir a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior: o financiamento de politécnicos e universidades em regiões transfronteiriças; as matrículas de alunos internacionais e de regimes especiais; e a equidade na contratação de investigadores. “Sem estas condições, não conseguirão cumprir a sua missão”, afirmou Joaquim Brigas.
Para além de defender que deve ser feito um “adequado financiamento” às instituições de ensino superior de regiões transfronteiriças, como é o caso do Politécnico da Guarda, “e não asfixiá-las financeiramente ano após ano”, Joaquim Brigas evidenciou a necessidade de ser devolvida a “possibilidade de alunos internacionais e de regimes especiais poderem matricular-se até 30% além do total de vagas” das instituições de ensino superior e garantir “equidade na contratação de investigadores altamente qualificados”.
“Sem estas condições, não há política de coesão territorial no que respeita ao ensino superior, como não há apoio ao interior nem à sua capacidade para atrair e fixar quadros”, afirmou Joaquim Brigas. “Sem estas condições, os politécnicos e as universidades destes territórios não conseguirão cumprir a sua missão”, sustentou.
O presidente do IPG considerou que a visita de Aguiar-Branco teve a virtude de aproximar a Assembleia da República e os seus deputados de uma escola de ensino superior “tão singular como a de Turismo e Hotelaria, em Seia, que é a única no Interior do país dedicada integralmente às ciências do turismo, da restauração e da gastronomia, da hospitalidade e da gestão hoteleira”.
Joaquim Brigas considerou a revisão do RJIES “crucial para garantir aos jovens que estudam no Interior uma igualdade de oportunidades face aos alunos dos grandes centros e para dar condições de inovação e de competitividade aos tecidos social e empresarial de regiões transfronteiriças, como a da Guarda”.
Sem um ensino superior forte no Interior, “Portugal nunca será um país desenvolvido, equilibrado e coeso como todos desejamos”, concluiu.
Para Aguiar-Branco, as reivindicações do Politécnico da Guarda são “alertas” para os deputados presentes, que “são eles que têm que estudar a matéria” nos respetivos grupos parlamentares.
Antes de rumar até Seia, o presidente da Assembleia da República reuniu-se na Guarda com os presidentes de Câmara do distrito e visitou o Museu da Miniatura Automóvel, em Gouveia. A visita de Aguiar-Branco ao distrito da Guarda terminou em Figueira de Castelo Rodrigo, visitando as obras de remodelação das instalações da empresa Laticínios da Marofa, um investimento de seis milhões de euros que está a ser executado pelo empresário senense Filipe Morais, seguindo-se a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) daquele concelho.
