PSD de Seia critica modelo da Feira do Queijo; executivo defende aposta no negócio e promete inovação
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A Feira do Queijo Serra da Estrela esteve no centro do debate político da primeira reunião do executivo municipal de Seia em 2026, com críticas da oposição quanto à alegada estagnação do certame e à falta de informação institucional, e com o presidente da Câmara a defender o modelo da iniciativa, sublinhando a aposta na inovação e no reforço da sua dimensão económica.

Paulo Hortênsio, vereador do PSD e líder da oposição, afirmou que a Feira do Queijo “aparenta ter atingido um ponto de clara estagnação”, considerando que o certame “revela sinais de cansaço que não podem continuar a ser ignorados” pelo executivo. O vereador lamentou ainda ter tomado conhecimento da data da edição de 2026 apenas através das redes sociais, classificando a situação como um exemplo de “falta de respeito institucional” para com a oposição, que “não pode ser trada como mera figurante ou, pior ainda, como verdadeiros enteados numa família que deveria ser de todos”.

Na sua declaração política, Paulo Hortênsio defendeu que a Feira do Queijo é “o maior cartaz identitário do concelho”, mas que exige “ambição renovada, visão estratégica e capacidade de reinvenção”. Apontou fragilidades ao nível da divulgação e do envolvimento dos agentes económicos e da população, defendendo uma estratégia de comunicação “mais profissional e eficaz”, integrada e orientada para públicos-alvo concretos.

Para o vereador social-democrata, também a localização do certame “deve ser seriamente reavaliada”, sublinhando que a Feira do Queijo “não pode continuar refém de soluções que limitam o conforto, a circulação, a permanência do público e a participação efetiva dos agentes socioeconómicos”. Entende que um evento desta dimensão “deve ser um verdadeiro espaço de encontro entre produtores, restauração, comércio, turismo e visitantes, criando condições para que todos ganhem e se sintam parte integrante do sucesso coletivo”.

Feira do Queijo deve gerar negócio e não ser apenas um arraial

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, rejeitou as críticas relativas à data do certame, lembrando que “em Seia a Feira do Queijo é sempre no fim de semana de Carnaval”, desvalorizando o facto de a oposição não ter sido previamente informada. O autarca considerou que “não está em causa qualquer desrespeito democrático”, sublinhando que a tradição do evento é conhecida e confirmando que a edição de 2026 decorrerá entre 14 e 17 de fevereiro.

Luciano Ribeiro deu ainda nota de uma reunião recente com os parceiros da Feira do Queijo – ANCOSE, ADIRAM, LICRASE, Estrelacoop e a Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia – da qual saíram “algumas ideias” para reforçar o certame, nomeadamente a realização de uma conferência dedicada aos problemas do setor, a organizar pelos próprios parceiros, com apoio do município.

O presidente da autarquia reiterou que o objetivo do executivo é manter a Feira do Queijo como uma “verdadeira feira, com negócio e transação”, e não apenas como um evento festivo. Destacou a aposta na promoção digital, direcionada a públicos específicos e meios ligados à gastronomia, sublinhando que esta estratégia “serve não apenas a Feira do Queijo, mas também a promoção do concelho ao longo de todo o ano”.

Luciano Ribeiro reconheceu que a inovação “está sempre em cima da mesa” e adiantou que a aproximação da 50ª edição da Feira do Queijo, em 2027, “exigirá ainda mais arrojo”. Ainda assim, reafirmou que o executivo não pretende transformar o certame “num simples arraial”, defendendo uma feira “com impacto económico imediato e futuro”, construída com parcerias institucionais e a participação da sociedade civil.

Festival pirotécnico na noite de Passagem de Ano

A reunião abordou ainda as festividades natalícias e a iniciativa ‘Cabeça, Aldeia Natal’. Rodrigo Amaro apresentou uma declaração política dedicada ao tema, considerando que estas iniciativas se afirmam como “um eixo relevante de dinamização económica”, com impactos visíveis na restauração, no comércio local e na atividade turística, destacando o aumento de visitantes registado em Seia e nos arredores.

O vereador do PSD defendeu que o município deve adotar uma abordagem mais estratégica, avaliando de forma objetiva o retorno do investimento público, nomeadamente ao nível da captação de visitantes, da taxa de ocupação turística e do volume de negócios gerado. Entre as propostas apresentadas, destacou o fogo de artifício como “uma oportunidade a explorar de forma mais integrada e ambiciosa”, sugerindo a criação de uma programação própria ou mesmo de um festival pirotécnico associado à Passagem de Ano, articulado com a restauração local e ajustado aos períodos de maior afluência turística.

Rodrigo Amaro defendeu ainda a valorização contínua da ‘Cabeça, Aldeia Natal’ como uma “experiência diferenciadora, capaz de prolongar estadias e estimular o consumo local”, reconhecendo, no entanto, constrangimentos ao nível dos acessos e da gestão do trânsito.

Em resposta, Luciano Ribeiro esclareceu que o município não tem previsto qualquer espetáculo de fogo de artifício na Passagem de Ano, nem assume o pagamento desse tipo de iniciativas, mas garantiu que o executivo está disponível para analisar propostas futuras, não rejeitando à partida novas abordagens.

Relativamente a Cabeça, o presidente da Câmara reconheceu limitações nos acessos e a necessidade de melhorias, salientando que o projeto de requalificação da via está em curso, mas alertando que continuará a tratar-se de uma estrada de montanha, salvaguardando a identidade e a escala da aldeia.

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