Projeto prevê aumento de folhosas e redução de pinhal no Rio Seia
A operação integrada de gestão da paisagem (OIGP) do Rio Seia, que abrange cerca de 1375 hectares, prevê transformar os povoamentos mistos de pinheiro-bravo com outras folhosas.
A proposta de OIGP na área abrangida por cinco freguesias do concelho de Seia prevê uma redução de eucalipto e de pinheiro-bravo, a diminuição e irradicação de invasoras lenhosas e de matos. A redução irá ser compensada pelo aumento de outras folhosas, pastagens, sistemas agro-florestais e agricultura, segundo o documento que se encontra em período de consulta pública consultado pelo ‘Seia Digital.
A OIGP é o lado operacional das áreas integradas de gestão da paisagem (AIGP), instrumento criado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que procura dar resposta à necessidade de ordenamento e gestão da paisagem e da floresta, ao mesmo tempo que procura reduzir o risco de incêndio nos territórios.
Para mitigar os efeitos dos incêndios rurais, a proposta de OIGP pretende, entre outras valências, alterar a composição e estrutura do coberto florestal, diminuindo a sua continuidade e diversificando a sua composição. Para isso vai privilegiar o aproveitamento da regeneração natural de pinheiro-bravo e pinheiro-manso, de medronheiro e outras folhosas como carvalhos, sobreiro e castanheiros, à custa da redução de matos, de eucalipto e do controlo e irradicação das áreas ocupadas por invasoras lenhosas.
O projeto prevê igualmente o aumento das áreas agrícolas existentes nas imediações dos aglomerados populacionais, ocupadas por agricultura tradicional ou pastagens, “as quais terão a função de proteger o interface urbano-florestal assegurando a salvaguarda de pessoas e bens”, salienta o documento.
De forma a aumentar o valor do território e de dinamizar a economia regional, a floresta vai continuar a ser a principal atividade económica, “com potencial para produção de material lenhoso”, associado à exploração de produtos não lenhosos, como o mel, o pinhão, a castanha, o medronho, a pera de São Bartolomeu e a cortiça.
Tratando-se de um território com potencialidade para a pastorícia, outro dos objetivos da OIGP é aumentar a área de pastagem de forma a aumentar as explorações e os efetivos pecuários, possibilitando a obtenção de retornos financeiros decorrentes da venda de carne e do leite.
Também para aumentar a riqueza produzida, os produtos provenientes destas zonas rurais passarão a estar identificados e certificados, sendo criadas redes de cooperação e rotas turísticas, com o objetivo de promover o empreendedorismo e fortalecer a cadeia produtiva.
A AIGP, que abrange as freguesias de Sameice e Santa Eulália, Travancinha, Tourais e Lajes, Santa Comba, e Santiago, está integrada numa zona balnear e de lazer, sendo possível encontrar ao longo das margens do Rio Seia diversos percursos pedestres e cicláveis, dotados de parques de merendas, elementos patrimoniais e culturais, pontos de interesse histórico, havendo ainda a necessidade de salvaguardar todo o património existente.
O investimento global estimado para a reconversão e valorização da paisagem é de aproximadamente 3,438 milhões de euros.
A proposta de OIGP, que tem como entidade gestora a ENERAREA – Agência Regional de Energia e Ambiente do Interior, está em consulta pública para recolha de sugestões até ao dia 21 de março. Os documentos podem ser consultados nos sítios da internet daquela entidade, do Município de Seia e da Direção-Geral do Território.
