PSD pede maior ambição para a Festa da Transumância; Câmara defende autenticidade do evento
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A Festa da Transumância e dos Pastores esteve em destaque na última reunião da Câmara Municipal de Seia, com o PSD a defender uma estratégia mais ambiciosa para um dos eventos mais emblemáticos do concelho e o executivo a sublinhar a autenticidade da iniciativa e o trabalho desenvolvido ao longo do ano junto dos pastores.

O vereador Paulo Hortênsio considerou que a Transumância possui um enorme potencial identitário, cultural e turístico, mas entende que continua “aquém daquilo que poderia e deveria representar para o concelho”.

“Assistimos a uma excessiva tendência para transformar um património cultural profundo num evento episódico, demasiado concentrado na dimensão festiva e mediática, mas ainda pouco estruturado enquanto verdadeiro produto turístico, cultural e económico de escala regional e nacional”, afirmou.

Entre as principais críticas apontadas pelo PSD estão a ausência de uma estratégia plurianual para o evento, a reduzida promoção externa e a falta de divulgação pública de indicadores relacionados com visitantes, impacto económico, retorno turístico ou número de dormidas geradas.

“A Transumância não pode ser apenas um desfile de um dia. Tem de ser uma narrativa territorial, uma experiência e uma identidade viva”, defendeu o vereador social-democrata, que apontou também como fragilidade “a reduzida capacidade de transformar o evento num motor de valorização, com os pastores a serem vistos como ‘figurantes’ de uma encenação turística, quando deveriam estar no centro” do evento.

Paulo Hortênsio questionou ainda qual o posicionamento estratégico do evento, perguntando se a aposta passa por uma festa popular, um produto turístico premium, um festival etnográfico ou um instrumento de promoção territorial. “Sem clareza do posicionamento o risco é continuarmos presos a um modelo híbrido, disperso e pouco diferenciador”, salientou.

O PSD defendeu igualmente uma maior valorização dos produtores locais, da fileira ovina, da lã, do queijo Serra da Estrela e das raças autóctones, bem como um maior envolvimento das freguesias, associações culturais, jovens e escolas.

Entre as propostas apresentadas figuram a criação de uma estratégia plurianual para a Transumância, a profissionalização da promoção turística nacional e internacional, a integração do evento numa rota permanente ligada ao pastoreio e a apresentação anual de um relatório público sobre o impacto económico e turístico da iniciativa.

“O concelho não pode limitar-se a celebrar a sua história. Tem de saber transformá-la em desenvolvimento e oportunidade para o futuro”, afirmou.

«A Transumância em Seia é autêntica e verdadeira. Nós não alugamos pastores»

O presidente da Câmara Municipal de Seia rejeitou as críticas, defendendo que o evento se distingue precisamente pela sua autenticidade e ligação direta à realidade da pastorícia na Serra da Estrela.

Luciano Ribeiro contestou a ideia de que a Transumância se limite a um desfile ou uma recriação histórica. “A Transumância em Seia é autêntica e verdadeira. Nós não alugamos pastores”, afirmou.

O autarca explicou que são os próprios pastores que determinam a data da subida dos rebanhos à Serra da Estrela e que o Município se limita a associar-se a uma prática que continua viva, acompanhando a bênção dos rebanhos e a subida tradicional aos pastos de verão.

“Nós é que nos colamos aos pastores para fazer a festa. Não são os pastores que se colam a nós”, acrescentou.

Luciano Ribeiro destacou ainda que muitos dos participantes no almoço da Transumância são convidados dos próprios pastores, reforçando a ligação comunitária ao evento.

O autarca defendeu ainda que o valor da Transumância ultrapassa o dia do evento, salientando a notoriedade que a iniciativa proporciona ao território ao longo do ano e a promoção que é realizada em certames turísticos nacionais.

O presidente da Câmara destacou também o trabalho desenvolvido com escolas, produtores e associações ligadas ao setor agro-pastoril, bem como o apoio prestado aos pastores através de parcerias com entidades do setor.

Apesar das divergências quanto ao modelo de desenvolvimento do evento, PSD e executivo convergiram na importância da Transumância enquanto elemento identitário do concelho e na necessidade de continuar a valorizar a atividade pastoril e a ligação histórica de Seia à Serra da Estrela. 

📸 Festa da Transumância em Seia “não é uma recriação”

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