Munícipes levam poluição no rio Cobral e alterações de trânsito à Assembleia Municipal de Seia
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A poluição no rio Cobral, na União das Freguesias de Carragozela e Várzea de Meruge, e as recentes alterações de trânsito na envolvente do Centro de Saúde de Seia marcaram o período de intervenção do público na Assembleia Municipal de Seia. Os dois assuntos foram levantados por munícipes, que pediram esclarecimentos e soluções ao executivo liderado por Luciano Ribeiro.

A sessão da Assembleia Municipal, realizada esta segunda-feira, ficou marcada pelas intervenções de dois cidadãos que alertaram para problemas que afetam diferentes zonas do concelho: a degradação ambiental do rio Cobral e as alterações à circulação rodoviária junto ao Centro de Saúde de Seia.

O primeiro tema foi apresentado por Ezequiel dos Santos, residente na União das Freguesias de Carragozela e Várzea de Meruge, que denunciou aquilo que classificou como uma situação “grave”, provocada pelas alegadas descargas de resíduos provenientes de unidades de produção de queijo para o rio Cobral.

Segundo o munícipe, desde abril têm ocorrido descargas diárias, agravando um problema que “já se arrasta há anos”. Na sua intervenção descreveu um cenário de “odor insuportável”, proliferação de mosquitos e degradação da qualidade da água, alertando para os impactos ambientais e para a saúde pública.

Ezequiel dos Santos questionou ainda o presidente da Câmara sobre quando será efetuada a descontaminação do leito do rio e defendeu que o concelho precisa de indústrias que tragam dinamismo às freguesias e ao território, “mas não à custa de indústrias poluentes”.

Câmara admite gravidade da situação

Na resposta, Luciano Ribeiro reconheceu a gravidade do problema e revelou que o assunto integra a informação escrita apresentada à própria Assembleia Municipal.

O presidente explicou que as descargas autorizadas são fiscalizadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade competente na matéria, adiantando que, até ao momento, “o infrator ou a infratora não foi devidamente identificado nestes últimos dois meses”.

Luciano Ribeiro afirmou ainda que já visitou o local e constatou a acumulação de matéria orgânica junto ao açude existente na zona do ringue, reconhecendo os problemas provocados pelos maus odores e pela proliferação de insetos.

O autarca informou igualmente que está atualmente em discussão pública um processo promovido pela APA relacionado com a utilização do rio Cobral como recetor de efluentes industriais, apelando à participação da população.

Quanto à descontaminação do leito do rio, revelou que estão a decorrer contactos com as entidades competentes para encontrar financiamento que permita uma intervenção de maior dimensão nas zonas mais críticas.

Alterações de trânsito contestadas

Também Paulo Mendes, empresário com estabelecimento comercial na Rua da Liberdade, utilizou a tribuna da Assembleia Municipal para contestar as recentes alterações de trânsito na envolvente do Centro de Saúde de Seia.

O comerciante criticou a transformação da Rua Padre Augusto Viegas em sentido único e as alterações efetuadas noutras artérias adjacentes, considerando que reduziram significativamente o movimento na Rua da Liberdade, prejudicando moradores e comerciantes.

Na sua intervenção, lamentou que a requalificação urbana tenha sido acompanhada por alterações que, na sua opinião, “estrangularam” uma zona comercial que já perdeu serviços públicos importantes ao longo dos últimos anos.

“Não pensei que uma obra tão esperada acabasse por se transformar numa barreira, num bloqueio, um constrangimento diário para os próprios moradores e comerciantes, que deveriam ser os primeiros beneficiados”.

Recordou ainda que a Rua da Liberdade foi, durante décadas, uma das principais artérias da cidade.

“Falo de uma rua que já foi muito mais do que um arruamento comercial. Foi um eixo de passagem obrigatório quando ali funcionavam as Finanças, quando era o caminho natural para o Centro de Saúde, para a Casa do Povo e para a Segurança Social. Uma rua viva, com movimento, com pessoas, com comércio, porque havia circulação. E essa realidade mudou”.

Paulo Mendes afirmou também que “decidir sobre ruas onde não se vive é fácil” e considerou que as recentes alterações, feitas “para ganhar quatro ou cinco lugares de estacionamento”, acabaram por “sacrificar a mobilidade, o comércio e a vida urbana”.

Questionou ainda a existência de estudos técnicos que sustentassem as mudanças, criticou o aumento dos percursos automóveis e defendeu que as novas regras de circulação contrariam os princípios da sustentabilidade ambiental.

“Estas decisões não são apenas questões de trânsito. São questões de economia local, de sobrevivência comercial, de dinâmica urbana e de respeito por quem mantém as portas abertas todos os dias”.

Executivo admite avaliar resultados

Na resposta, Luciano Ribeiro rejeitou que as alterações tenham sido feitas apenas para criar alguns lugares de estacionamento.

O presidente da Câmara explicou que as mudanças estavam a ser preparadas há vários anos, tendo sido objeto de testes prévios, análise técnica e articulação com a Guarda Nacional Republicana.

Segundo o autarca, o objetivo foi melhorar a fluidez do trânsito numa zona onde, apesar de existirem dois sentidos de circulação, o estacionamento irregular acabava por permitir apenas a passagem de um veículo.

Ainda assim, garantiu disponibilidade para avaliar os resultados da nova organização do trânsito e admitir eventuais correções.

“Quando a prática me disser que é ao contrário, não tenho problema nenhum em mudar”.

No período reservado ao público interveio ainda Maria Natália Santos, residente em Loriga, que voltou a reivindicar a melhoria do caminho rural de acesso à sua habitação, construída em zona florestal, uma situação que diz reclamar há cerca de duas décadas.

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