Transumância gera troca de argumentos entre Luciano Ribeiro e Paulo Hortênsio
A discussão sobre a Festa da Transumância e dos Pastores proporcionou um dos momentos mais animados da última reunião da Câmara Municipal de Seia, com uma troca de argumentos entre o presidente da autarquia, Luciano Ribeiro, e o vereador do PSD Paulo Hortênsio sobre o presente e o futuro de um dos eventos mais emblemáticos do concelho.
O debate surgiu depois de o PSD apresentar críticas e propostas destinadas a reforçar a dimensão turística, económica e comunitária da iniciativa, defendendo uma estratégia mais abrangente para a valorização da Transumância.
Na resposta, Luciano Ribeiro questionou diretamente o vereador da oposição. “Alguma vez participou na Festa da Transumância em Seia?”, perguntou o autarca, considerando que algumas das críticas apresentadas não correspondiam à realidade do evento.
«A Transumância em Seia é autêntica e verdadeira»
O presidente da Câmara insistiu que a principal diferença da Transumância de Seia face a iniciativas semelhantes realizadas noutros territórios está na sua autenticidade.
“A Transumância em Seia é autêntica e verdadeira. Nós não alugamos pastores”, afirmou.
Luciano Ribeiro explicou que a Câmara não organiza uma recriação histórica nem um desfile artificial, mas acompanha uma prática real dos pastores da Serra da Estrela.
“Não é uma parada de ovelhas. Não é uma recriação. É a subida dos rebanhos para a serra feita pelos próprios pastores”, sustentou.
O autarca reforçou ainda que são os pastores que definem o momento da subida e que o Município se associa a essa realidade.
“Nós é que nos colamos aos pastores para fazer a festa. Não são os pastores que se colam a nós”, acrescentou.
As declarações motivaram uma resposta de Paulo Hortênsio, que rejeitou a ideia de estar a desvalorizar o trabalho realizado ou a própria Transumância.
“O nosso objetivo aqui não é dizer mal da Transumância nem de todo o trabalho que é feito em torno dela”, afirmou.
«Às vezes dá-se mal com o contraditório»
O vereador social-democrata considerou que algumas das suas observações foram interpretadas de forma excessiva e aproveitou para lamentar aquilo que classificou como uma tendência para desvalorizar os contributos apresentados pela oposição.
“Às vezes dá-se mal com o contraditório”, afirmou, dirigindo-se diretamente ao presidente da Câmara.
Paulo Hortênsio acrescentou que os vereadores do PSD acompanham frequentemente as propostas apresentadas pelo executivo, considerando injusta a ideia de que a oposição surge apenas para criticar.
“Cria-se a ideia de que estamos sempre a dizer mal. Não é essa a nossa perspetiva”.
O vereador insistiu ainda na necessidade de avaliar os resultados dos principais eventos municipais, defendendo que a divulgação de indicadores concretos permitiria perceber melhor o seu impacto económico e turístico.
Consenso sobre a importância da pastorícia para o concelho
Na fase final da discussão, o PSD apresentou novamente a ideia de criar experiências ligadas à pastorícia e visitas a explorações ao longo de todo o ano, defendendo que a tradição da Transumância pode servir de ponto de partida para novos produtos turísticos associados ao mundo rural.
Já Luciano Ribeiro reiterou que está disponível para acolher sugestões de melhoria, mas considerou que algumas críticas ignoram o trabalho desenvolvido ao longo do ano junto dos pastores, escolas, produtores e entidades ligadas à atividade agro-pastoril.
O autarca recordou ainda que o Município já procura dinamizar esse tipo de experiências, salientando, contudo, que o sucesso do turismo de experiência e a valorização das explorações agrícolas depende também da disponibilidade dos produtores para receber visitantes.
A troca de argumentos terminou num tom mais conciliador, com ambas as partes a reconhecerem a importância da Transumância enquanto elemento identitário do concelho, embora mantendo visões diferentes sobre o caminho a seguir para potenciar o seu impacto futuro.
