Dia Nacional da Água assinalado em Seia com protocolos para recuperação dos recursos hídricos
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Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Penalva do Castelo assinaram acordos com a Agência Portuguesa do Ambiente. Maria da Graça Carvalho destacou a água como uma das prioridades do Governo.

As comemorações do Dia Nacional da Água, em Seia, ficaram marcadas pela assinatura de protocolos de colaboração técnica e financeira entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e os municípios de Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Penalva do Castelo, destinados à recuperação de recursos hídricos. Os documentos foram subscritos pelo presidente do Conselho Diretivo da APA, José Pimenta Machado, e validados pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Em Seia e Oliveira do Hospital, os protocolos permitem avançar com a recuperação de cerca de 20 quilómetros do leito do rio Cobral, numa intervenção que pretende melhorar as condições ambientais e ecológicas daquele curso de água. O projeto contempla a recuperação e valorização ecológica do leito e das margens, o controlo de espécies invasoras e a recuperação da vegetação autóctone. Estão também previstas intervenções para melhorar as condições de escoamento e estabilizar o leito e as margens através de técnicas de engenharia natural, bem como a recuperação da galeria ribeirinha.

As ações pretendem contribuir para a conservação dos habitats, a promoção da biodiversidade e a melhoria da qualidade da água, estando igualmente prevista a sensibilização da comunidade local para a conservação dos sistemas fluviais.

“A água é talvez a prioridade número um”

Na intervenção durante a sessão, Maria da Graça Carvalho enquadrou os protocolos na estratégia do Governo para os recursos hídricos, destacando a importância da água perante os desafios ambientais e climáticos. “Assinar estes protocolos no Dia Nacional da Água e para o Governo, como já disse, a água na nossa área é talvez a prioridade número um”, afirmou a ministra.

Ministra Maria da Graça Carvalho visita exposição no CISE

Maria da Graça Carvalho lembrou a estratégia “Água que Une”, lançada pelo Governo para responder aos desafios relacionados com os recursos hídricos, e destacou também o programa Pro-Rios, destinado à reabilitação dos cursos de água. Segundo a ministra, já foram executados mais de 300 milhões de euros em obras integradas na estratégia “Água que Une”, estando em curso ou em preparação projetos no valor de cerca de dois mil milhões de euros em todo o país.

“Mas o denominador de tudo o que fizemos, estamos aqui hoje a dizer e da exposição que vamos ver e destes protocolos e de muitos outros que já assinámos é a água”, afirmou.

A governante sublinhou ainda que os protocolos agora assinados, embora relacionados com intervenções de menor dimensão face a outros acordos já celebrados, representam uma mudança positiva na proteção do património natural e na vida das populações. “Sem água não há vida, sem água não há futuro e apostar na água é garantir o bem-estar das pessoas por muitas gerações”, afirmou Maria da Graça Carvalho.

Recuperar o rio Cobral

Luciano Ribeiro destacou, por seu lado, a importância dos dois protocolos relativos ao rio Cobral, recordando a ligação pessoal que mantém com aquele curso de água e a sua importância na história económica do concelho.

O presidente da Câmara Municipal de Seia defendeu que a requalificação ambiental do rio deve envolver também a comunidade e a indústria, considerando que “não basta limpar” o curso de água, sendo necessário “garantir a monitorização e evitar a repetição de episódios de poluição”. O objetivo, explicou, passa por devolver o rio às populações e criar uma maior ligação da comunidade ao curso de água, tornando os cidadãos “guarda-rios” do território.

Estação de Tratamento de Água Portátil desenvolvida pela APdSE

Luciano Ribeiro apontou ainda o trabalho realizado anteriormente no rio Seia como um exemplo de intervenção que permitiu aproximar novamente as populações do curso de água e reduzir as situações de poluição.

Exposição mostra história dos recursos hídricos

A sessão incluiu ainda a abertura da exposição “Recursos Hídricos: história, sociedade e saber”, instalada no Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE). A mostra reúne instrumentos, equipamentos, documentos e fotografias históricas relacionados com o trabalho desenvolvido no domínio dos recursos hídricos, permitindo conhecer a evolução dos meios e dos conhecimentos associados ao estudo e à gestão da água. O espólio tem como guardião o Município de Albergaria-a-Velha.

José Pimenta Machado destacou o contributo da exposição para contar a história da água em Portugal e dar a conhecer as pessoas que, ao longo do tempo, trabalharam na gestão dos recursos hídricos, estabelecendo uma ligação entre a memória desta atividade e os desafios que se colocam atualmente.

A cerimónia ficou também marcada pela apresentação da nova Plataforma Multifuncional desenvolvida pela Águas Públicas da Serra da Estrela (APdSE), que inclui uma Estação de Tratamento de Água (ETA) Portátil destinada a reforçar a capacidade de resposta a situações de emergência no abastecimento de água.

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