Poluição no Rio Cobral motiva novas medidas e financiamento para intervenção ambiental
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Presidente da Câmara de Seia revela que Município e a União das Freguesias poderão substituir-se à APA na execução de trabalhos de recuperação do curso de água.

A poluição no Rio Cobral voltou a estar em destaque na reunião da Câmara Municipal de Seia, com o presidente da autarquia, Luciano Ribeiro, a anunciar que o Município está a trabalhar em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para avançar com uma intervenção de recuperação do curso de água, prevendo a obtenção de financiamento a curto prazo.

O assunto surgiu na sequência da recente visita do presidente da APA a Seia, por ocasião da cerimónia de hastear das bandeiras nas praias fluviais de Loriga e da Lapa dos Dinheiros.

Segundo Luciano Ribeiro, o Município tem mantido uma colaboração próxima com a APA em vários dossiês, desde processos mais complexos, como a barragem de Girabolhos, até situações que exigem resposta mais imediata.

Nesse âmbito, explicou que a autarquia apresentou, em 2024, um projeto de Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP) para o Rio Cobral, que previa intervenções na linha de água, mas que, apesar de aprovado, não obteve financiamento.

Perante esse cenário, foi desenvolvido um novo projeto exclusivamente centrado na recuperação do rio, em articulação com a APA.

“Os acontecimentos mais recentes só vieram reafirmar a necessidade daquilo que já a União das Freguesias de Carragozela e Várzea de Meruge reivindicava”, afirmou Luciano Ribeiro.

O autarca adiantou que estão reunidas condições para assegurar financiamento que permitirá ao Município e à União das Freguesias substituírem-se à APA na execução dos trabalhos.

“Vamos conseguir, no breve prazo, garantir algum financiamento em que será o Município e a freguesia a substituírem-se à APA. Estão a fazer um favor a nós, mas nós estamos a substituir-nos ao trabalho deles”, afirmou.

PSD questiona desenvolvimentos sobre alegadas descargas ilegais

Durante o período de intervenção da oposição, o vereador do PSD, Rodrigo Amaro, questionou o executivo sobre os desenvolvimentos relativos ao alegado “crime ambiental” com as descargas poluentes no Rio Cobral.

O eleito social-democrata quis saber que diligências foram efetuadas desde que a situação foi denunciada, perguntando se o Município levantou algum auto de contraordenação e quais as medidas concretas adotadas para esclarecer e mitigar o problema.

Luciano Ribeiro: “Estamos a falar de descargas ilícitas”

Na resposta, Luciano Ribeiro confirmou que a situação em causa diz respeito a “descargas ilícitas no leito do Rio Cobral sobre a produção de laticínios”, sublinhando que o episódio recentemente registado não corresponde às descargas licenciadas pela Agência Portuguesa do Ambiente.

O presidente da Câmara explicou que todas as unidades industriais instaladas naquela zona “possuem autorização de utilização do meio hídrico” emitida pela APA, podendo descarregar “apenas dentro dos parâmetros legalmente definidos”.

Segundo o autarca, essa realidade resulta de um trabalho desenvolvido ao longo de vários anos entre o Município, as empresas e a própria APA, com vista à implementação de sistemas de pré-tratamento dos efluentes.

Luciano Ribeiro esclareceu ainda que as situações habitualmente detetadas estão relacionadas “com águas de lavagem”, mas referiu que o episódio mais recente teve origem em “descargas de soro e sorelho”, resíduos da produção de queijo com uma concentração muito superior de matéria orgânica.

O autarca acrescentou que cabe agora à APA e à GNR conduzir a investigação sobre a origem das descargas, enquanto o Município colaborou através de visitas ao local e do acompanhamento do processo.

Revelou ainda que a APA se encontra a reavaliar as autorizações de utilização do meio hídrico atribuídas às indústrias da zona, num procedimento que já se encontrava em curso antes de o caso ganhar visibilidade pública.

Luciano Ribeiro concluiu afirmando que, paralelamente à investigação, “será igualmente importante avançar com intervenções de recuperação ambiental no Rio Cobral”, projeto que espera concretizar nos próximos meses, assim que estejam reunidas todas as condições administrativas e financeiras.

📸 Freguesia Meruge

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