Parque Natural da Serra da Estrela assinala 50 anos com comemorações em Manteigas
O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) celebra o seu 50º aniversário com um programa de iniciativas que arranca no dia 15 de julho, em Manteigas, e se prolonga ao longo do mês, envolvendo vários concelhos do território. As comemorações assinalam meio século da maior área protegida de montanha de Portugal continental, coincidindo com o recente reconhecimento da Serra da Estrela como Reserva da Biosfera da UNESCO.
As comemorações, promovidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), têm início às 14h00 com a inauguração das obras de requalificação do edifício-sede do Parque Natural, seguindo-se, meia hora depois, a sessão solene no Centro de Energia Viva de Montanha.
A abertura contará com intervenções do presidente da Câmara Municipal de Manteigas e da Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, Flávio Massano, do diretor regional da Conservação da Natureza e Florestas do Centro, Paulo Farinha Luís, e da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Um dos momentos centrais da sessão será a apresentação da “Serra da Estrela: Reserva da Biosfera da UNESCO”, distinção recentemente atribuída ao território pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), reforçando o reconhecimento internacional dos seus valores naturais, ambientais e culturais.
Meio século de proteção da maior área de montanha do país
Criado em 16 de julho de 1976, o Parque Natural da Serra da Estrela é a maior área protegida de montanha de Portugal continental, ocupando cerca de 89 mil hectares distribuídos pelos concelhos de Seia, Gouveia, Manteigas, Guarda, Celorico da Beira e Covilhã.
No seu interior encontra-se a Torre, o ponto mais alto de Portugal continental, bem como as nascentes de importantes rios como o Mondego, o Zêzere e o Alva. A paisagem da serra conserva ainda marcas evidentes da última glaciação, ocorrida há cerca de 30 mil anos, sendo considerada um dos mais importantes patrimónios geológicos do país.
Ao longo de cinco décadas, o PNSE afirmou-se como um dos mais importantes espaços naturais do país, preservando uma paisagem única moldada pela última glaciação, onde se encontram os mais expressivos vales glaciários de Portugal, lagoas de altitude, turfeiras, matos de montanha, bosques autóctones e um conjunto de habitats considerados prioritários à escala europeia.
A Serra da Estrela alberga também numerosas espécies endémicas e protegidas de fauna e flora, algumas exclusivas deste território, como a lagartixa-de-montanha, várias espécies vegetais raras e habitats de elevado valor ecológico que fazem do maciço um dos principais centros de biodiversidade de Portugal.
Além do património natural, o Parque protege um território profundamente marcado pela presença humana, onde subsistem tradições seculares ligadas ao pastoreio, à produção do Queijo Serra da Estrela DOP, à raça ovina Serra da Estrela e ao emblemático Cão Serra da Estrela.
Reserva da Biosfera reforça reconhecimento internacional
As celebrações deste ano decorrem poucos dias depois de a Serra da Estrela ter alcançado um novo marco internacional com a integração na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO.
A classificação reconhece o equilíbrio entre a conservação da natureza e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais, abrangendo cerca de 2.373 quilómetros quadrados nos concelhos de Seia, Gouveia, Manteigas, Guarda, Celorico da Beira e Covilhã.
Com esta distinção, a Serra da Estrela passa a reunir duas classificações da UNESCO, juntando o estatuto de Reserva da Biosfera ao de Geopark Mundial, atribuído em 2020, reforçando o posicionamento deste território como uma referência internacional na proteção da biodiversidade, da geodiversidade e da valorização do património natural e cultural.
