Politécnico da Guarda critica aumento transversal de vagas que penaliza o Interior
O Conselho Geral do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) aprovou, por unanimidade, uma moção onde manifesta preocupação com a recente orientação da política pública para o Ensino Superior, considerando que o aumento transversal até 5% das vagas em todas as instituições “reforça a concentração da oferta e da procura nas áreas metropolitanas” e penaliza os territórios do Interior.
Intitulada “Pelo Futuro do Ensino Superior no Interior”, a moção defende que a aplicação de regras uniformes a realidades distintas “não promove a justiça, mas consolida desigualdades e compromete o desenvolvimento equilibrado do país”. O documento será enviado ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, aos partidos com representação parlamentar e à Presidência da República.
Segundo o Conselho Geral do IPG, num contexto em que o número global de vagas no ensino superior já supera a procura há vários anos, a autorização de um aumento indiferenciado “agrava os desequilíbrios estruturais”, beneficiando sobretudo as instituições localizadas nos grandes centros urbanos.
A moção critica ainda o abandono de uma política que, nos últimos anos, orientava preferencialmente o aumento de vagas para as instituições do Interior, bem como a introdução de incentivos financeiros que favorecem a frequência de estabelecimentos de ensino superior em áreas metropolitanas, o que, segundo o IPG, contraria claramente os objetivos de coesão territorial.
O documento sublinha que a questão não reside na qualidade ou ambição institucional. O Politécnico da Guarda destaca o seu percurso académico e científico, referindo a integração em unidades de investigação classificadas com “Muito Bom”, a existência de um centro de investigação próprio com a mesma avaliação, a aprovação do primeiro doutoramento, a liderança de projetos nacionais e internacionais e a participação, desde 2023, como membro de pleno direito da aliança europeia UNITA – Universidade Europeia.
“O IPG cumpre plenamente a sua missão académica, científica e territorial”, refere a moção, acrescentando que o problema central está na adequação do modelo de governação do sistema às realidades das instituições.
Por estas razões, o Conselho Geral do IPG defende a integração de critérios de coesão territorial na definição anual de vagas, a revisão do modelo de bolsas de ação social e o reforço do financiamento das instituições do Interior, em alinhamento com os objetivos estratégicos nacionais.
A moção refere ainda que várias Assembleias Municipais de territórios do Interior, como as da Guarda, Vila Real, Castelo Branco e Covilhã, partilham destas preocupações, sublinhando o papel das instituições de ensino superior como âncoras de desenvolvimento regional, fundamentais para a inovação, o emprego qualificado e a fixação de jovens.
