Loriga volta a ecoar com as Chocalhadas de São Martinho
Publicidade

Em Loriga, vila do concelho de Seia, as noites de 10 e 11 de novembro voltam a encher-se de sons metálicos e energia festiva com mais uma edição das Chocalhadas de São Martinho, uma tradição que atravessa gerações e continua a marcar o outono na Serra da Estrela.

Nas vésperas do dia de São Martinho, os pastores tiram os chocalhos ao gado e colocam-nos nos braços e nas pernas, desfilando pelas ruas num cortejo barulhento e vibrante que ecoa por todo o vale. Trata-se de uma celebração ancestral, profundamente enraizada nos costumes pastorais da região, e que, segundo a lenda, afasta os males dos rebanhos e protege o novo ciclo agrícola.

“Há tradições que vale a pena reviver”, recordam os organizadores, sublinhando que este ritual continua a unir a comunidade e a dar vida à vila nesta época do ano.

Entre a lenda e a festa

A origem desta tradição é envolta em várias explicações. Para alguns, as chocalhadas eram uma forma de afastar os maus espíritos que ameaçavam os rebanhos e os próprios pastores, isolados no alto da serra durante o inverno. Outros acreditam que o ritual se relaciona com a quadra de São Martinho, momento em que se provava o novo vinho e se celebrava o regresso dos pastores ao convívio com as famílias após meses de transumância.

“Esta tradição tão ruidosa era uma forma de espantar os medos, as intempéries e os lobos, mas também de celebrar a vida e a proteção dos rebanhos”, recordam os habitantes de Loriga, orgulhosos de manter viva esta manifestação única.

Som, comunidade e identidade

Hoje, as Chocalhadas de São Martinho são mais do que uma tradição: são uma celebração coletiva da identidade serrana. Homens, jovens e crianças participam lado a lado, envergando os chocalhos e percorrendo as ruas num ambiente de festa e comunhão, onde o som metálico se mistura com gargalhadas e o cheiro das fogueiras.

Entre o ritual e o convívio, Loriga convida todos a ouvir o som da tradição, sentir o pulsar da serra e viver o verdadeiro espírito de São Martinho, numa manifestação que combina devoção, cultura popular e memória viva.

“Venham viver esta tradição única e sentir o pulsar da nossa terra”, desafiam os loriguenses, que prometem duas noites cheias de emoção, som e calor humano.

📸 Zé Fernandes Pina

Partilhe este artigo...