Chega apresenta programa para “romper com 30 anos de marasmo” em Seia
Com críticas diretas aos últimos executivos do PS e sem poupar também o PSD, o Chega apresenta-se às eleições autárquicas em Seia com a promessa de quebrar o que chama de “três décadas de estagnação”. Juventude, saúde, habitação, economia e combate ao fogo posto estão entre as prioridades do programa eleitoral de João Tilly.
O candidato do Chega apresentou nas redes sociais o programa eleitoral para o concelho de Seia com o lema “Já Chega mesmo de 30 anos de marasmo!”. O partido quer “afastar o imobilismo e a estagnação” e abrir portas ao que define como “progresso e desenvolvimento” do concelho de Seia.
Juventude como prioridade
Um dos pilares do programa é a juventude, com propostas para fixar os jovens no concelho, criar oportunidades de emprego e desenvolver o programa “FIXAR”, vocacionado para atrair e manter talento no território. “Pretendemos fazer de Seia e do seu concelho uma região onde os jovens possam expandir a sua criatividade e concretizar as suas aspirações”, refere a publicação.
Economia, turismo e inovação
No plano económico, o CHEGA aposta numa estratégia para “estancar o despovoamento e dinamizar a economia”, com a criação de projetos âncora “que sejam impactantes no desenvolvimento socioeconómico do concelho, combatendo a incompetência e inércia instaladas”.
Atrair investimento no sector do Turismo de Aventura, de Lazer, de Negócio, de Estudo, Cultural e Gastronómico, dinamizar as áreas industriais, abertura de um Centro de Inovação e Incubação Industrial e apoio técnico a empreendedores e start-ups, são outras das apostas.
A par disso, propõe incentivos fiscais, promoção de profissões tradicionais e tecnológicas, criação da marca Agroseia, novas ofertas formativas no ensino superior e profissional, e requalificação de equipamentos como a piscina aberta ou circuitos de manutenção.
Na área das acessibilidades, defende a conclusão do IC6, o arranque do IC37, a retoma da Linha da Beira Alta e a valorização do Aeródromo de Seia para uso comercial e recreativo. A requalificação da Estrada da Serra, aumentando a sua segurança “e evitar que seja cortada de cada vez que ameaçar nevar”, também está prevista.
Habitação com custos controlados e Saúde mais valências para acabar “dança de ambulâncias”
Ao nível da habitação, o programa propõe o arrendamento por tempo limitado de casas devolutas, a custos controlados, destinado a jovens, técnicos especializados, professores e profissionais de saúde, como forma de revitalizar o parque habitacional e atrair residentes.
A área da saúde surge como uma das bandeiras do programa. O partido quer “trazer médicos e enfermeiros para o concelho”, reativar extensões de saúde nas freguesias mais distantes da sede do concelho e dotar o Hospital com novas valências.
Critica a atual situação de “plataforma giratória de ambulâncias” para a Guarda, Viseu e Coimbra, “numa ‘dança macabra’ em que o doente corre vários hospitais”. Os cuidadores informais merecem também atenção especial, com apoio direto previsto.
Finanças municipais em estado crítico
No plano financeiro, o diagnóstico do Chega denuncia uma “situação económico-financeira aflitiva” na autarquia. Segundo o programa, “a dívida total do município ascende a mais de 32 milhões de euros”, sendo a maioria dos empréstimos de longo prazo.
Com um saldo negativo de mais de 3 milhões de euros em 2024, o partido considera que “a câmara nunca conseguirá implementar qualquer projeto nestas condições”. Afirma que o “desígnio é alterar o paradigma existente”, dispondo de “quadros competentes e qualificados, obstinados no sucesso e imbuídos de um espírito de missão”.
Vigilância da floresta com drones e satélites
No que diz respeito à floresta, o combate aos incêndios florestais é apresentado como uma prioridade absoluta. “Mais de 90% dos fogos são postos por mão criminosa”, afirma, responsabilizando o poder local pela falta de vigilância.
Para resolver o problema, propõe uma rede de drones, espalhada pelas freguesias mais vulneráveis, contratação de plataformas dedicadas a vigilância por satélite, que além de manter as florestas sempre vigiadas permite identificação imediata de incendiários e alertas automáticos de incêndios em tempo real.
Na reta final do documento, que está disponível nas plataformas digitais da candidatura, o partido reforça a sua mensagem de rutura com os protagonistas políticos locais. “No PS não podemos acreditar mais. Foram 50 anos de credulidade e 30 de total inconsequência para o nosso concelho” Quanto ao PSD, afirma que “nunca foi alternativa credível” e nunca conquistou a confiança dos senenses.
“Com o Chega na Câmara Municipal, Seia e o seu concelho voltarão a atingir os níveis de progresso e de desenvolvimento de outrora, com empresas, juventude e gente nas ruas. Pedimos apenas uma oportunidade” nas eleições autárquicas de 12 de outubro, conclui o programa.
Nas eleições autárquicas de 2021, o Chega conquistou 718 votos (5,58%), ficando à frente da CDU, que obteve 436 votos (3,39%). O PS venceu o ato eleitoral com 5.618 votos (43,68%), elegendo quatro mandatos. O PSD alcançou 3.163 votos (24,59%) com dois mandatos, e o movimento Juntos Pela Nossa Terra (JPNT) elegeu um mandato, com 2.283 votos (17,75%).
