Incêndio agrava falta de água em aldeias de Alvoco da Serra
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As aldeias anexas da freguesia de Alvoco da Serra, em Seia, já tinham falta de água no verão, mas o incêndio que afetou a região agravou a situação, com a junta a procurar resolver o problema em conjunto com o município.

A maioria das localidades da freguesia de Alvoco da Serra, cujo sistema de água é assegurado pela própria junta, já tinha o hábito de sentir falta de água no pico do verão, pelo aumento da população e redução do caudal das nascentes que alimentavam as localidades, mas com o incêndio a situação agravou-se, afirmou à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia, Carlos Belarmino Marques.

De acordo com o autarca, o problema é mais sentido em Vasco Esteves de Baixo, mas outras aldeias estão também afetadas, face a tubagens que acabaram por ficar danificadas com a passagem das chamas do grande incêndio que deflagrou no dia 13 em Arganil e que afetou Seia, com especial incidência naquela zona do concelho.

“Os sistemas de água são antigos, havia alguns tubos que estavam à mostra e a situação ficou pior”, contou.

Segundo Carlos Belarmino, a freguesia chegou a ter quatro aldeias sem água, com o fogo a ter afetado algumas das captações em pequenas nascentes que asseguram o consumo nas diferentes localidades.

“Estamos a tentar resolver e arranjar a rede”, disse, referindo que tem contado com o apoio da Câmara de Seia, depois de “já estar previsto a freguesia passar a integrar a empresa intermunicipal de abastecimento de água”.

Neste momento, com reservatórios vazios e com as pessoas com necessidade de lavar e limpar em redor das suas casas face à passagem do incêndio, “a situação é mais difícil”, mas poderá ser normalizada em breve.

Em declarações à Lusa, a presidente da mesa de assembleia da Liga dos Amigos de Vasco Esteves de Baixo, Carla Santos, fala de “um mês terrível” e com um abastecimento de água “muito instável”.

A residente e natural daquela localidade conta que em alguns pontos da povoação a água não corre, com moradores, sobretudo idosos, a terem de se deslocar a fontes públicas para carregar baldes de água para casa.

“A minha sogra, neste mês, só teve água na torneira durante três dias”, notou a habitante de 39 anos.

Também Carla Santos diz que a falta de água costuma ser habitual no verão, mas não com a gravidade sentida neste ano.

O incêndio “agravou ainda mais o problema”, constatou.

Naquela localidade, o incêndio andou bastante perto das habitações, como aconteceu à casa de Ana Gouveia, que foi literalmente engolida pelas chamas. A empresária declarou à SIC que o Alojamento Local não ardeu, mas teve prejuízos.

No entender de Carla Santos, a falta de água não foi sentida pelos moradores para combater as chamas, agradecendo aos bombeiros, “que foram incansáveis”, não permitindo que o fogo chegasse próximo da maioria das casas. Considera “inadmissível” a localidade sentir sempre falta de água na altura do verão, face a um sistema “obsoleto” e com várias ruturas.

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