Deputada da Guarda pede esclarecimentos ao Governo sobre reabertura da Linha da Beira Alta
A deputada Aida Carvalho, eleita do Partido Socialista pelo círculo da Guarda, solicitou esclarecimentos ao Ministro das Infraestruturas sobre o ponto de situação da Linha da Beira Alta e o calendário previsto para a sua reabertura integral.
A modernização da Linha da Beira Alta, entre Pampilhosa e Vilar Formoso, constitui um dos projetos ferroviários “mais relevantes do país”, integrado no Corredor Internacional Norte, com um investimento estimado em cerca de 500 milhões de euros, recorda numa pergunta dirigida ao ministro Miguel Pinto Luz, também subscrita pelos deputados do PS na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.
A obra tem como objetivo reforçar a ligação ferroviária entre o litoral e o interior, bem como a ligação internacional com Espanha, através da melhoria do transporte de mercadorias e passageiros, “promovendo um modelo de mobilidade mais sustentável e eficiente”.
As intervenções em curso incluem a renovação integral da infraestrutura ferroviária, a eliminação de passagens de nível, a reabilitação de estações, a construção de variantes e a instalação de sistemas de sinalização de última geração, destacando-se a construção da Concordância da Mealhada, que permitirá encurtar o trajeto entre Lisboa e Porto.
Contudo, o cumprimento dos prazos inicialmente previstos “tem sido severamente comprometido”. A circulação ferroviária “está suspensa desde abril de 2022” e, apesar de alguns troços terem sido reabertos parcialmente, “a maior parte da linha continua encerrada, sem uma data concreta para a retoma plena da operação comercial”.
Em dezembro de 2024, o Ministro das Infraestruturas afirmou que a reabertura total ocorreria no “primeiro trimestre de 2025”, prazo que não foi cumprido.
Neste contexto, a deputada socialista pretende que o Governo clarifique “qual o calendário oficial e atualizado para a reabertura integral da Linha da Beira Alta”, questionando que “fatores concretos” justificam o “não cumprimento” do prazo anteriormente anunciado.
Aida Carvalho questiona também quais são os troços ainda condicionados e quais os principais entraves técnicos ou administrativos à sua conclusão, se a linha reabrirá com as condições técnicas necessárias para o transporte internacional de mercadorias, assim como qual o modelo de serviço de passageiros está previsto pela CP após a reabertura.
A parlamentar do PS defende que “o modelo de serviço de passageiros previsto pela CP deve ser ambicioso, ajustado às necessidades reais da região, garantindo mais frequência, mais serviços e melhor qualidade de serviço, promovendo uma mobilidade mais acessível, atrativa e eficaz”.
Aida Carvalho sublinha ainda que “não deve ser abandonada a perspetiva de uma ligação ferroviária direta entre Lisboa e Porto pelas Beiras, valorizando as cidades e populações do interior, historicamente menos servidas pelas grandes infraestruturas nacionais”.
A Linha da Beira Alta encerrou em 19 de abril de 2022 para ser alvo de obras de modernização, por um período previsto de nove meses e deveria reabrir em janeiro de 2023. A Infraestruturas de Portugal veio depois a anunciar como data provável novembro de 2023, prazo que foi novamente alterado, passando a ser junho de 2024, que também não se concretizou.
A reabertura da Linha tem sido feita por troços, primeiro entre a Guarda e Celorico da Beira (novembro de 2024), seguindo-se a ligação entre Celorico da Beira e Mangualde (abril de 2025). Fica a faltar a ligação Mangualde-Pampilhosa para repor toda a circulação ferroviária na Linha da Beira Alta, que tem 193 quilómetros entre a Pampilhosa e Vilar Formoso.
📸 Linha da Beira Alta continua encerrada até Mangualde
