Ser voluntário
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Neste fim de semana, ocorreu a Campanha de Primavera do Banco Alimentar, e em Seia também participei dessa iniciativa como voluntária. Hoje não pretendo fazer um resumo da Campanha, dos seus resultados e benefícios, dos argumentos dos seus opositores ou detratores. Há quem já falou, já disse ou escreveu, julgou e sentenciou…eu quero estar do outro lado da Ponte, (onde não há competição nem lugares marcados) só a contar como foi…

Queria contar como foi conhecer os voluntários e como foi estar com as pessoas que frequentaram o supermercado onde estive praticamente todo o fim de semana.

Ao longo do dia, cruzaram-se por mim pessoas amigas, conhecidas e até estranhas que ainda assim aproveitaram para dar dois dedos de conversa comigo. Queixar-se do calor, do tempo transtornado, da vida cara, mais uns estados de alma… Sentir-se ouvido é raro por estes tempos que correm rápido de mais para os humanos um tanto ou quanto “analógicos”.

Alegrei-me com as crianças a festejar o dia da criança e um passeio ao parque, onde viram o lobo mau (assim mo contaram!), e ao supermercado com os pais, soltas e felizes! Outras eufóricas, com brinquedos nos braços que acabavam de escolher na loja!

Também vi olhos a brilhar porque não podiam dar, outros porque estavam a dar. Houve quem me dissesse que dava porque nunca queria precisar, outras davam porque já tinham precisado. Cada um com os seus medos e suas feridas tinha a sua razão. Outros diziam porque não davam e para mim tudo está certo. Passaram por mim caras fechadas totalmente absorvidas pelas suas vidas? ou pelas dificuldades? ou pelas suas necessidades? por tudo isso e muito mais, num turbilhão de motivos e razões à mistura…

Não conhecia todos voluntários escalados para a campanha, mas foi facílimo identifica-los, vinham TODOS com um sorriso convincente e uma alegria contagiante. Perguntei se já tinham estado presentes noutras companhas e a maioria estava a repetir a experiência. Havia jovens entre os 15 e 18 anos de idade, mas também havia pessoas entre os 20 e os 60 e mais… Como eu, deixaram a sua rotina de fim de semana para estarem ali. Tanto adultos como jovens deram o seu melhor, sem olhar a esforço e privaram-se dos seus momentos em família para estar presentes em prol dos outros. Eles não o sabem, pudicamente não se fala disso, mas a sua alegria e postura deram-me alento para completar a jornada mesmo quando o corpo já dava de si.

Dou por mim a pensar que Ser Voluntário também é derrubar muros para construir com essas pedras as Pontes que nos ligam uns aos outros e que se eu fosse criança pequenina pintaria essas Pontes com as cores do arco-íris.

E foi assim que foi, para mim, mais uma Campanha do Banco Alimentar.

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