Politécnico da Guarda vai transformar cerejas, pêssegos e mirtilos em suplementos alimentares
Os frutos vermelhos endógenos da região da Beira Interior vão ser utilizados na produção de suplementos alimentares naturais através da colaboração do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) com uma empresa farmacêutica.
A cereja do Fundão, o pêssego da Cova da Beira e o mirtilo da Beira Interior serão transformados em suplementos alimentares naturais com o objetivo de combater a síndrome metabólica, responsável por doenças cardíacas, a diabetes tipo 2 e outras doenças crónicas.
O projeto ‘RedSup4Health’ é liderado pela empresa Natural Green Biological (NGB), em cooperação com a empresa Cerfundão e envolve investigadores e os laboratórios do IPG, da Universidade da Beira Interior (UBI) e da Universidade Católica Portuguesa. Conta com o financiamento de cerca de 1,1 milhões de euros do FEDER e tem duração prevista de 36 meses.
O principal objetivo é desenvolver suplementos alimentares inovadores, “tirando partido do potencial preventivo destes frutos ricos em compostos bioativos e com reconhecidos efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antidiabéticos e anti obesidade”, refere uma nota do Politécnico da Guarda enviada ao Seia Digital.
Segundo Luís Silva, docente do IPG e responsável pelo projeto, o ‘RedSup4Health’ pretende “contribuir para a prevenção e combate a um dos principais problemas globais de saúde e bem-estar”, tirando partido do potencial existente na região interior de Portugal.
O investigador afirmou que o projeto “pretende, não só dar resposta ao preocupante aumento das doenças crónicas, que afetam seis em cada dez pessoas a nível mundial, como promover a valorização económica de produtos locais, com vista à sua comercialização e internacionalização”.
Para Luís Silva, o ‘RedSup4Health’ representa “uma aposta estratégica na bioeconomia regional, promovendo o desenvolvimento sustentável e a saúde pública a partir de soluções de base natural”.
Em colaboração com o setor farmacêutico e outras instituições de ensino superior, os suplementos alimentares vão ser lançados “em cadeias de valor internacionais, incluindo-as em soluções de alto valor acrescentado”, adianta o investigador do Politécnico da Guarda.
Para o presidente do IPG, Joaquim Brigas, “este projeto representa um modelo de inovação colaborativa entre empresas, instituições de ensino superior e centros de investigação, com impacto direto na saúde das populações e na dinamização da economia local”, colocando a Beira Interior “na vanguarda da nutrição funcional e da valorização dos recursos naturais”.
Para além da inovação em nutrição funcional, os responsáveis pelo projeto ‘RedSup4Health’ afirmam que este “pretende responder a necessidades territoriais urgentes, como a valorização de produtos locais, a diversificação económica e a fixação de pessoas em territórios de baixa densidade”.
“Melhorar o acesso da população a produtos de qualidade elevada, impulsionar a economia local através do incremento das vendas e da entrada em novos mercados internacionais, assim como promover a sustentabilidade e circularidade através da utilização de subprodutos e frutos em fase avançada de maturação, sem valor comercial”, são outras metas que as entidades promotoras do ‘RedSup4Health’ se propõem alcançar.
📸 Equipa que lidera o projeto ‘RedSup4Health’
