Trabalhadores de Seia acusam Egor de desperdiçar talentos com despedimentos
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Os trabalhadores da empresa Synchro, que opera no ‘call center’ da SU Eletricidade, em Seia, lamentam o “presente envenenado” que receberam na véspera de Natal.

Com uma caixa embrulhada em forma de prenda – onde sobressaíam denuncias como “desemprego” e “alteração de horários” – , instalada à porta da empresa, os trabalhadores iniciaram hoje uma paralisação de 48 horas para contestar o despedimento coletivo de oito colegas e a alteração de horários.

Com cartazes onde se podia ler: “Exigimos respeito da SU Eletricidade (EDP) e da Synchro (Egor)”; “Para eles milhões! Nós trabalhamos por tostões!” e “Também somos EDP. Somos a cara e a voz da EDP”, mais de uma dúzia de trabalhadores apelavam ao “respeito pelos horários de trabalho” e diziam “não ao desemprego”.

Num protesto ruidoso, os trabalhadores da Synchro, empresa do grupo Egor, denunciaram o despedimento coletivo que abrange oito trabalhadores. Ironizando com o slogan da empresa quando diz que “cria talentos”, os trabalhadores lamentam que a Egor “só cria é despedimentos”. Adiantam que desde dezembro de 2023, altura em que saíram das instalações da EDP para um edifício alugado no centro da cidade, “têm vindo a despedir sucessivamente trabalhadores”.

“Este mês foram mais oito, que receberam as cartas na véspera de Natal, o que se traduz na redução em mais de metade dos trabalhadores [cerca de 25] que transitaram” para o novo espaço. A concretizar-se o despedimento coletivo, “ficam apenas 12”, denunciam.

Carlos Veloso, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro Norte (SITE CN), afeto à CGTP, que convocou a greve, referiu ao Seia Digital que a empresa quer “impor horários rotativos, nomeadamente a mulheres com filhos menores, cujos horários implicam sair às 20:00h, em vez das 18:00h”, como acontece atualmente.

O sindicalista denuncia ainda que as alterações que a empresa pretende implementar têm como propósito “transferir alguns atendimentos” para as lojas que a EDP possui quase exclusivamente nas capitais de distrito, “sobrecarregando os funcionários que estão no atendimento ao público”.

A greve de 48 horas termina à meia-noite de terça-feira, esperando os trabalhadores que a paralisação obrigue a empresa a “reverter” a decisão de avançar para o despedimento coletivo.

Refira-se que à hora da concentração, que decorreu das 10:00h às 13:00h à porta da empresa, não esteve presente nenhum responsável pela gestão do ‘call center’, não sendo possível obter uma reação ao protesto.

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