Documentário espanhol ‘Fauna’ vence festival CineEco
A longa metragem internacional ‘Fauna’, realizada por Paus Faus, é a grande vencedora do “Grande Prémio Ambiente” do CineEco 2024, que decorreu em Seia de 10 a 18 de outubro.
Segundo a organização, trata-se de um documentário espanhol que “é uma reflexão sobre o relacionamento entre humanos, animais e ciência em tempos de pandemia”. Na sinopse do filme é referido que numa floresta nos arredores de Barcelona, “um velho pastor e o seu rebanho vivem lado a lado com um laboratório de alta tecnologia para experiências com animais. (…) Enquanto o pastor, que sofre de uma doença óssea, assiste ao desaparecimento da sua profissão, os cientistas estão mais atarefados do que nunca a investigar a vacina para combater a Covid”.
A 30ª edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela premiou com o “Prémio Curta e Média Metragem Internacional” o filme “Magnifica: Passive Intruder”, de Ville Koskinen, que aborda a “coexistência entre veraneantes finlandeses e um visitante inesperado de nome Pectinatella”, e a “chegada de manchas viscosas e verdes a um meio seguro e familiar traz sensações desconfortáveis à comunidade comodista de classe média”, acompanhando o filme o “assombro e as tentativas dos veraneantes para aniquilar a estranha criatura que lhes invadiu o litoral”.
A longa-metragem em Língua Portuguesa “Sem Coração”, de Nara Normande e Tião, conquistou o “Prémio Camacho Costa”. O documentário leva-nos ao Verão de 1996, no litoral de Alagoas, onde Tamara aproveita as suas últimas semanas na vila piscatória onde mora, antes de partir para estudar em Brasília. “Um dia, ouve falar de uma rapariga a quem chamam “Sem Coração”, devido a uma cicatriz que tem no peito”, crescendo em Tamara com om o decorrer do Verão “uma atração por essa rapariga misteriosa”.
O “Prémio Curta e Média Metragem em Língua Portuguesa” foi conquistado por “Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves. É um documentário algarvio que segue o ciclo completo da vida de um molusco. “No percurso da sua formação até ao prato, cruzamos diferentes contextos que nos permitem compreender melhor esta região e aqueles que nela habitam”.
“The Bio Estrela Project”, de Oliver Couch, recebeu o “Prémio Panorama Regional”. É um documentário curto que mostra como os incêndios florestais ameaçam destruir a Serra da Estrela. “Se os incêndios continuarem, Portugal perderá mais do que as árvores queimadas. Perderá as gerações da história e da tradição mantidas vivas nas comunidades agrícolas e nas vilas que subsistem e vivem das florestas”. No filme é lançado o alerta para a partida dos jovens, porque “aqui não há futuro”. O filme segue os cientistas, os agricultores e as pessoas “que lutam para criar um projeto de referência que impeça os fogos florestais e salve a Estrela de ser queimada”, refere a organização.
O vencedor do Prémio da Juventude Longa-Metragem Internacional foi o filme “Common Ground”, de Joshua Tickell e Rebecca Harrell Tickell, dos Estados Unidos da América, que “desvenda uma teia negra de dinheiro, poder e política por detrás do nosso sistema alimentar danificado”. O filme revela como as práticas racistas “forjaram o nosso atual sistema agrícola, em que agricultores de todas as cores estão literalmente a morrer para nos alimentar”.
Os júris do CineEco atribuíram ainda o Prémio Antropologia Ambiental a “Bottlemen, de Nemanja Vojinović (Sérvia), o Prémio Curta-Metragem de Animação para o filme “The Waiting”, de Voker Schlecht (Alemanha), o Prémio Educação Ambiental foi para “Ervilha”, de Teresa Mendonça (Portugal) e o Prémio Valor da Água ao filme “Des Rives (Banks)”, de David Sanchez, Canadá.
Palmarés da 30ª edição do CineEco em: www.cineeco.pt
