50 anos de democracia e o fim do homo sapiens europa portucalense
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Na península ibérica existem muitas espécies de animais que povoam os seus territórios, algumas das quais autóctones. Ao longo do tempo já foi necessário socorrer diversas espécies em via de extinção com planos de proteção e repovoamento. Podemos dar como exemplo o lince ibérico, lynx pardinus cuja a recuperação está a ser bem-sucedida, existindo atualmente uma população de 1300 indivíduos entre Portugal e Espanha, quando em 1990 eram menos de 100 em toda a Península Ibérica.

Aquando da revolução dos cravos, a população portuguesa era de 8.754.365 habitantes quando em 2022 chegou a ser de 10.444.242 habitantes. Hoje nasce-se menos em Portugal, em 1974 houve 171.979 nascimentos contra 83.671 nascimentos no ano de 2022.

Muita coisa mudou em 50 anos e por múltiplas razões as mulheres são mães 7 anos mais tarde e as famílias são bem mais pequenas.

Os idosos ganharam mais 7 anos na esperança de vida e as mortes por doenças circulatórias diminuíram e representam cerca de 25% das mortes hoje contra 40% na década de 1970. A melhoria nos cuidados de saúde entre outros fatores permitiu que a população esteja mais velha, 24% da população tem mais de 65 anos hoje quando só representavam 10% da população em 1974, a contrario, a população até aos 14 anos representava 28% da população contra 13% hoje, segundo os dados disponibilizados no site da PORDATA.

Entre 2018 e 2080, de acordo com o cenário central de projeção do INE, Portugal perderá população, dos atuais 10,3 para 8,2 milhões de pessoas. Ou seja, a espécie conhecida por homo sapiens, na sua variante europa portucalense*, estará em via de extinção ou pelo menos entrará em declínio! Será?

Nestes últimos anos houve uma recuperação da população portuguesa graças aos fluxos migratórios positivos já que acolhemos mais imigrantes do que portugueses saíram do país rumo ao estrangeiro (este nosso fado tão português). Porque, por outro lado, o número de estrangeiros aumentou 24 vezes, representavam 0,4% da população 1974 quando hoje representam 7,5% da população e somam 781.247 pessoas.

Assim sendo, a nossa variante portuguesa do homo sapiens poderá continuar a subsistir, e a adaptar-se aos novos fatores circunstanciais. Da mesma forma que o nosso antepassado e primeiro rei, D. Afonso Henriques não falava português! (falava uma linguagem que hoje apelidamos de galego-português), pois pelo motivo que ainda faltava que o nosso idioma fosse “inventado”, também a nossa descendência poderá, quem sabe, trocar o fiel amigo, o bacalhau, por uma outra iguaria marinha, quiçá algas ou similares!

Posso apostar que haverá sempre portugueses só que já não serão tão parecidos com os lusitanos homenageados nos Lusíadas, nem com a personagem do Zé Povinho do Rafael Bordalo Pinheiro.

Portugal, como território, será sempre Portugal desde que as placas tectónicas assim o queiram! Os portugueses serão aqueles que vivem no seu território e o valorizam ao longo do tempo, como o foram fazendo os nossos antepassados nos quase nove séculos contados desde da longínqua independência do Reino de Portugal, igualmente conhecido por Terras de Santa Maria.

* europa portucalense – acrescento meu

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