Que futuro para a ESTH? Câmara de Seia e Politécnico da Guarda sem consenso
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Que futuro para o ensino superior em Seia? Esta foi a pergunta que mais vezes se ouviu na última Assembleia Municipal, que decorreu no passado dia 30 de setembro. Câmara aposta em CTeSP e novas licenciaturas em diversas áreas e o Politécnico quer criar um polo com cursos que na Guarda não atraem alunos.

Nos contatos que vem tendo com o Instituto Politécnico da Guarda (IPG), o presidente da Câmara Municipal de Seia transmitiu aos membros da Assembleia Municipal que tem reivindicado mais e melhor oferta formativa para atrair novos alunos para a Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH).

A proposta do IPG e aceite pela autarquia passa por uma aposta nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), alinhados com o ensino profissional existente nas escolas da região. Esta aposta servirá “para dar seguimento a muitos dos alunos destas escolas que não concorrem e nem sequer tentam concorrer ao ensino superior, encaminhá-los para estes cursos que podem levar depois a alimentar as licenciaturas”, referiu Luciano Ribeiro.

Contudo, para o presidente do Município, só esta aposta “é um caminho demasiado curto para a ambição que deveremos ter para o ensino superior em Seia”, como teve a oportunidade de transmitir ao presidente do Politécnico, Joaquim Brigas.

Luciano Ribeiro referiu que “a outra opção” do IPG é criar no edifício da ESTH “um polo” mas “a proposta que foi feita era de cursos que na Guarda também não têm alunos”.

O edil senense transmitiu aos deputados municipais que tem procurado “encontrar algum consenso” junto da direção do IPG, mas sem sucesso. “Dizem que a culpa é de Seia, a cidade não é atrativa, a verdade é que há Politécnicos em concelhos com menos gente do que Seia, como menos carreiras do que Seia, sem comboios como Seia, e têm mais alunos porque têm outros cursos e têm outros interesses”, salientou.

Para que a falta de alojamento “não venha a servir de desculpa”, a autarquia “financia 80 unidades de alojamento”, numa despesa mensal que ronda os 4.000 euros.

“O ensino superior em Seia carece de uma discussão, procurando outras soluções, que se fossem fáceis já tinham sido apresentadas, uma discussão que a Câmara Municipal não deixará de liderar”, referiu o autarca na Assembleia Municipal.

“Na Guarda não gostam de Seia”

Carlos Coito, do Movimento JPNT, falou na “agonia” da ESTH, “a que todos assistimos, sem que se vejam quaisquer medidas, um plano, uma direção definida para aquilo que poderia ser a nossa ‘galinha dos ovos de ouro’ no concelho de Seia”.

Questiona se não “terá sido um erro Seia ter-se associado ao IPG”, comparando com a Escola de Oliveira do Hospital, “onde todos os anos entram centenas de alunos”.

“Parece ser sempre o mesmo erro, quando nos associamos a alguma coisa para os lados da Guarda, seja na saúde, seja na CIM, seja na educação, acontece sempre mais ou menos esta situação”, lamentou. “Fica a sensação de que na Guarda não gostam de Seia, que vêm Seia um rival em vez de um aliado, talvez por sermos o segundo concelho mais populoso do distrito e pensem que nós lhe fazemos alguma sombra”.

Em relação à ESTH, o deputado sublinha que de ano para ano “vimos assistindo ao seu declínio constante e sistemático”, e o fato de a Escola ter mudado de nome e de estrutura “também não ajudou, não funcionou, não criou identidade, não se afirmou”.

Com os resultados já no ano passado a “serem fraquíssimos”, Carlos Coito lamenta que a Escola e o IPG não tenham mudado nada na promoção e na reestruturação dos cursos. “Querem mesmo que a Escola continue ou querem fechá-la”, questiona.

Para o Movimento JPNT, “já deviam estar a ser implementadas alternativas ao IPG”. Carlos Coito referiu que se deve “intervir mais junto do IPG e da tutela a exigir a abertura de novos cursos; devíamos ter um polo do IPG como já tivemos outrora; exigir ao IPG parcerias com outras instituições de forma a rentabilizar o equipamento de excelência aqui instalado, e ao mesmo tempo dinamizar o concelho”, referiu na sua intervenção.

Câmara disponível para ficar com o edifício

Se o presidente do Politécnico “não sabe” o que fazer à Escola, “que a venda à Câmara”, disse ainda Luciano Ribeiro. O autarca já propôs ao dirigente “outras soluções alternativas”, e conforme já tinha referido na reunião do executivo municipal, algumas delas passam pela aposta em cursos na área da Informática e da Gestão, ou mesmo da Saúde, com o Município disponível “para ajudar a financiar” laboratórios ou outras instalações que sejam necessárias.

Luciano Ribeiro já solicitou uma audiência ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, a quem promete ir apresentar as preocupações de Seia.

Recorde-se que nas três fases do concurso nacional de acesso ao ensino superior, a ESTH preencheu apenas 36 vagas das 85 disponíveis nas licenciaturas de Gestão do Turismo e da Hospitalidade, Gestão Hoteleira, Restauração e Catering e Turismo e Lazer.

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