Caminhos, trilhos e impasses
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Todos os portugueses são iguais diz a Lei, mas de facto assim não é… No Interior é um facto que as pessoas não usufruem do mesmo nível de serviço público do que as pessoas do Litoral. A meu ver, essa realidade deveria ser corrigida via Orçamento do Estado. Ora vejamos.

Na área das infra-estruturas, temos o exemplo acabado do tão malfadado IC6, cujo projecto levou o caminho das urtigas. Um verdadeiro iter criminis dos nossos governantes que apunhalaram o nosso futuro pelas costas… Por cá, a A25 tem portagens quando noutros locais auto-estradas e vias rápidas são gratuitas.

Na educação é patente o desinteresse pelo polo de Seia do Politécnico da Guarda, que em vez de reforçar os cursos leccionados em Seia, preferiu encaminhar cursos para o distrito vizinho. (CTeSP de Cozinha e Produção Alimentar em São João da Pesqueira).

Na área da saúde, vemos a degradação das condições e funcionalidades da ULS da Guarda que a tem levado para um beco sem saída, com todas as consequências que acarretam para a população.

No Interior bem precisamos de um estatuto de descriminação positiva em termos fiscais, que leve a população a pagar menos IRS para reter pessoas e aliciar outras a viverem no Interior, e assim combater a desertificação.

Ora, para apoiar e evitar a saída dos jovens, o próximo Orçamento do Estado prevê o IRS jovem. E para as pessoas que vivem no Interior, porque não pensar numa nova via, uma medida de apoio, o IRS Interior?

Nestas terras de baixa densidade “eleitoral”, os nossos votos e opiniões contam pouco.

Muitos de nós terão de pagar o aumento do IUC, não tendo dinheiro para carros novos, o preço obsceno dos combustíveis (dos quais cerca de 60% são impostos!) para se deslocar para o trabalho e ainda contribuir com os seus impostos para a congelação dos passes nos grandes centros urbanos. É uma solidariedade em sentido único.

Por cá, a população tende a desaparecer, pois porque, como referem os estudos, cá morre-se mais e nasce-se pouco… Se outros caminhos não forem trilhados, os habitantes do Interior poderão integrar a listagem das espécies em via de extinção! Existem sinais evidentes dessa realidade, há já empresas que não conseguem contratar mão-de-obra nem nacional ou imigrante. Como nessas condições criar empresas ou criar riqueza no Interior?

O País corre para um impasse, num futuro próximo quem cuidará dos territórios do Interior? Quem cuidará de quem cá fica? Precisa-se de pessoas com urgência!

Parafraseando o provérbio atribuído a Hannibal quando quis atravessar os Alpes com os seus elefantes “ou nós encontramos um caminho ou abrimos um”. “Aut viam inveniam aut faciam”.

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