Presidente da Câmara de Seia critica “incapacidade e incompetência do Estado”
O presidente da Câmara Municipal de Seia criticou hoje a “incapacidade e a incompetência do Estado” no projeto de construção da residência de estudantes na cidade. Já no que respeita ao ensino superior, Luciano Ribeiro continua a pressionar o Politécnico da Guarda para ‘mudar a agulha’ e fomentar novas parcerias, fazendo coisas novas.
Luciano Ribeiro, que respondia às questões dos deputados da Assembleia Municipal, referiu que o Município “fez o que tinha que fazer”, que foi incluir o projeto da residência de estudantes no programa especial de alojamento estudantil, “garantindo o apoio do PRR”. Disse que tratou “para que tudo fosse o mais célere possível”, mas “perante a incapacidade e a incompetência do Estado”, e após reunião com Fernando Alexandre, o ministro da Educação, Ciência e Inovação propôs à autarquia que executasse a obra.
“Estou à espera da resposta para passarem a titularidade do imóvel para o Município, e quando é que passam o financiamento para lá dos 3,5 milhões de euros inicialmente previstos no PRR”, frisou.
Na sua intervenção, o autarca agradeceu o rol de questões da bancada do PSD e respondeu com a requalificação de várias vias municipais, do Centro de Saúde de Seia, da Escola Secundária de Seia e “muitas outras que podíamos estar aqui a enumerar”.
Luciano Ribeiro referiu que podia utilizar os 15 minutos que tinha e os 20 minutos destinados ao PS – que não se inscreveu no período de antes da ordem do dia – para enumerar tudo o que foi feito ao longo do mandato de quatro anos.
Quanto ao quartel da GNR, disse que “aguarda visto” do Tribunal de Contas e “está tudo pronto” para a Guarda Nacional Republicana mudar-se para a Escola de Crestelo, que foi adaptada para receber o quartel temporariamente.
Sobre a requalificação do Tribunal, anunciou que o edifício se encontra em obras, apesar de “não ter sido colocada qualquer placa identificativa”.
Já no que respeita à intervenção na Nacional 17, a informação de que dispõe das Infraestruturas de Portugal “é que todos os projetos estão prontos”. Quanto ao IC6, “está com o projeto feito, falta o estudo de impacte ambiental”, esperando que o Governo dê depois rápidas indicações para a abertura da empreitada.
Escola Superior de Seia devia apostar em parceria internacional
Quanto ao ensino superior, e conhecendo o artigo de que falou a deputada Lúcia Leitão, o autarca referiu que “custa ler e não sentir algo no estômago”. Salientou que todos os pontos fracos identificados pela ESTH são da direção do Politécnico e do poder político “mas não são da Câmara Municipal”.
“O Municipio faz o que pode para ajudar quem tem que fazer mais ou quem tem que captar esses alunos. Financiamos 80 camas para alunos que estão ao serviço da Escola Superior de Turismo e Hotelaria e do IPG, se quiserem ter outros cursos”. Referiu que foram propostas “medidas concretas para fomentar a formação” quando foi aprovado o protocolo com a AED Cluster Portugal. A ideia, segundo Luciano Ribeiro, “é tentar coisas novas e não fazer o que todos fazem”.
Outra das propostas apresentadas à direção do Politécnico da Guarda foi a parceria da escola de Seia com uma congénere internacional. “Perante esta concorrência toda, temos que ser diferentes, não nos basta ser bons, não nos basta ter os melhores professores, temos que comunicar com os melhores do mundo para captar alunos”, defende o autarca.
Admite que “há muito trabalho” e que o foco continua a ser ter ensino superior em Seia, “seja com o parceiro territorial, que é o Politécnico da Guarda, seja com outros parceiros. Não haveremos de desistir de ter ensino superior em Seia”, promete.
A título de curiosidade, referiu que após a divulgação dos candidatos da 2ª fase de acesso ao ensino superior, das “9.500 vagas disponíveis, mais de 1.000 são de cursos ligados ao setor do Turismo”, mesmo que não sejam em escolas da especialidade. Aproveitou ainda para esclarecer que as 12 escolas do Turismo de Portugal, citadas pelo deputado João Tilly, são de formação profissional.
Ainda ao deputado do Chega, o presidente da Câmara Municipal transmitiu que não propôs uma reforma aos quadros da autarquia, mas uma “nova orgânica”. Quanto à não tomada de posse de Paulo Hortênsio como Diretor de Departamento de Inovação e Gestão Integrada, Luciano Ribeiro referiu que “no dia da tomada de posse não compareceu, e a partir daí, são decisões pessoais das pessoas”, frisando não querer imiscuir este assunto com o combate político.
