Câmara de Seia procura contactos com a Alemanha para perceber futuro da ARA
Luciano Ribeiro diz que o novo lay-off não surpreende, mas admite preocupação e revela contactos institucionais com o Ministério da Economia e a Embaixada alemã para tentar conhecer melhor as intenções do grupo. O autarca convidou a embaixadora a visitar Seia quando a fábrica de calçado retomar a laboração.
A Câmara Municipal de Seia está a procurar reforçar os contactos institucionais com a Alemanha para conhecer melhor as intenções do grupo ARA Shoes relativamente à unidade industrial de Seia, na sequência do novo processo de lay-off e do despedimento coletivo que poderá abranger cerca de 63 trabalhadores. A revelação foi feita pelo presidente da Câmara, Luciano Ribeiro, na reunião do executivo municipal de setembro, onde abordou a situação da empresa de calçado, já noticiada pelo Seia Digital.
O autarca afirmou ter sido informado pelo gerente da empresa sobre o atual processo e recordou que, quando a situação foi discutida em março, já tinha alertado para as diferenças entre as coleções de inverno e de verão e para as dificuldades que a produção europeia enfrenta neste último segmento.
Segundo Luciano Ribeiro, os motivos agora invocados pela empresa “são em tudo similares” aos que estiveram na origem dos dois anteriores processos de lay-off que acabaram por conduzir a despedimentos coletivos.
O presidente da Câmara reconheceu que a situação continua a preocupar o Município, embora tenha observado que o número de trabalhadores efetivamente abrangidos pelos processos anteriores “acabou por ficar abaixo do que foi inicialmente anunciado”.
Município procura chegar à estrutura alemã
Perante o novo processo, o Município estabeleceu contactos institucionais com o Ministério da Economia e com a Embaixada da Alemanha, com o objetivo de obter informação mais aprofundada sobre o futuro da empresa, não ficando apenas dependente dos contactos com a administração da unidade de Seia.
Luciano Ribeiro explicou que a relação com a administração da empresa em Portugal se tornou “mais franca e mais fácil” nos últimos anos, mas considera importante estabelecer também uma ligação “com a casa-mãe” do grupo, “para percebermos melhor as intenções”, afirmou.
Entretanto, segundo informação recolhida pelo Seia Digital, o presidente da Câmara endereçou um convite à embaixadora da Alemanha em Portugal, Daniela Schlegel, para visitar Seia quando a fábrica retomar a laboração.
Seia concentra operações europeias do grupo
Na reunião de Câmara, Luciano Ribeiro destacou a importância da unidade de Seia na estrutura europeia da ARA. Segundo o autarca, além da sede portuguesa, em Vila Nova de Gaia, a unidade de Seia “é a única operação do grupo na Europa”, concentrando atividades que anteriormente estavam distribuídas por outros países, nomeadamente Áustria, Alemanha e Roménia.
Entre essas atividades estão operações de importação e reexportação e armazéns aduaneiros. A sede em Portugal dispõe de uma componente de design, enquanto o grupo mantém outras instalações fabris noutras partes do mundo.
O presidente da Câmara explicou ainda que a estrutura acionista e de gestão da ARA torna mais complexa a tentativa de estabelecer contacto direto com os proprietários do grupo. Apesar de se tratar de uma empresa familiar, a ARA é gerida autonomamente por um conselho de administração, o que dificulta o acesso direto aos principais decisores. É neste contexto que o Município procura reforçar os contactos institucionais, para compreender melhor as intenções do grupo e as perspetivas para o futuro da unidade industrial de Seia.
A situação da ARA Shoes Portuguesa continua a representar uma preocupação para o concelho, tendo em conta o impacto da empresa no emprego local e as consequências que uma eventual redução da atividade poderá ter para os trabalhadores e para a economia do território.
