PCP rejeita entrega do Hospital de Seia à Misericórdia e exige reforço do SNS
Comunistas defendem que o Hospital Nossa Senhora da Assunção deve manter-se na esfera pública e acusam o Governo de promover uma “privatização encapotada”.
A Direção da Organização Regional da Guarda (DORG) do PCP manifestou-se frontalmente contra uma eventual entrega da gestão do Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia, à Santa Casa da Misericórdia local, defendendo que a unidade hospitalar deve manter-se integrada no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Em comunicado enviado ao Seia Digital, o PCP considera que a intenção de alargar a gestão de hospitais públicos às misericórdias representa “uma estratégia de destruição do Serviço Nacional de Saúde” por parte do Governo PSD/CDS e denuncia o que classifica como “um processo encapotado de privatização”.
Os comunistas sustentam que a transferência da gestão do hospital “corresponde à desresponsabilização do Governo na garantia do direito universal à saúde e na prestação de cuidados de saúde eficazes e de qualidade”.
A DORG do PCP recorda que o Hospital Nossa Senhora da Assunção foi criado em 1992 para melhorar o acesso aos cuidados de saúde das populações do Interior e salienta que atualmente serve mais de 80 mil utentes dos concelhos de Seia, Gouveia, Fornos de Algodres e Oliveira do Hospital.
No comunicado, o PCP defende que a prioridade deve passar pelo reforço das valências existentes, com a recuperação de especialidades como cardiologia, ortopedia e fisiatria, criticando igualmente a redução da capacidade de internamento e o subaproveitamento do bloco operatório.
Segundo os comunistas, ao longo dos últimos anos “tem-se verificado a subtração de profissionais de saúde no Hospital em Seia em virtude das opções políticas de subtração de valências”, manifestando ainda preocupação quanto ao futuro dos cerca de 250 trabalhadores da unidade e à salvaguarda dos investimentos públicos realizados no edifício e nos equipamentos.
O PCP considera ainda que este processo está a decorrer “à revelia dos profissionais de saúde, das organizações representativas dos trabalhadores e dos utentes”, defendendo que apenas a gestão pública garante “a universalidade, a acessibilidade, a qualidade e a eficácia dos cuidados de saúde”.
Nesse sentido, o partido reclama ao Governo a revogação do acordo estabelecido com a União das Misericórdias Portuguesas e o reforço dos serviços e valências do Hospital Nossa Senhora da Assunção.
Na parte final do comunicado, a DORG do PCP critica também outras forças políticas, afirmando que “continua a haver quem tenha duas caras”, acusando-as de defenderem o Hospital de Seia no distrito da Guarda, mas de apoiarem, na Assembleia da República, políticas que considera prejudiciais para os serviços públicos.
Esta é mais uma reação política à notícia avançada pelo jornal Público sobre a eventual devolução da gestão do Hospital de Seia à Misericórdia. Nos últimos dias, o Seia Digital divulgou igualmente as posições da Santa Casa da Misericórdia de Seia, da Câmara Municipal de Seia, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista.
