Troca de comunicados aquece debate político sobre contas de 2025 em Seia
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A prestação de contas de 2025 da Câmara Municipal de Seia está a gerar reação política após a sua aprovação, com posições divergentes entre o executivo socialista e o PSD, expressas em comunicados divulgados depois da reunião.

Em nota de imprensa, a autarquia sublinha um resultado líquido positivo de 222.910,15 euros e uma taxa de execução da receita de 90,3%, considerando que estes indicadores refletem “uma gestão financeira equilibrada e responsável”.

O presidente da Câmara, Luciano Ribeiro, citado no documento, destaca que, apesar de um ano marcado por desafios externos, como o contexto económico internacional, instabilidade política e impactos de conflitos, o município “conseguiu manter níveis consistentes de execução” e dar resposta às necessidades da população.

A autarquia aponta ainda investimentos em áreas como infraestruturas, educação, saúde, ação social, proteção civil e mobilidade, bem como a conclusão de projetos relevantes, como o Centro de Saúde de Seia e o avanço da requalificação da Escola Secundária.

Outro dos pontos destacados é a redução do endividamento, com amortizações extraordinárias superiores a 1,4 milhões de euros, medida que, segundo o executivo, reforça a “capacidade de investimento futuro”.

O município refere também sinais positivos na economia local, como o crescimento da receita fiscal e o surgimento de novas iniciativas empresariais, particularmente no setor do turismo.

PSD acusa “falta de rigor” e contesta narrativa

Em reação, o PSD Seia acusa a Câmara de não assegurar “neutralidade” na comunicação institucional, defendendo uma maior separação entre informação institucional e mensagem política.

Num comunicado, os sociais-democratas falam em “falhas graves de rigor, transparência e credibilidade”, apontando “erros materiais” no documento e uma alegada “repetição quase integral de textos” face à prestação de contas de 2024.

O partido critica ainda o que considera ser uma “visão geral marcada por autoelogio político sem sustentação técnica”, defendendo que os dados financeiros não confirmam a “narrativa de sucesso” apresentada pelo executivo.

Entre as principais preocupações, o PSD destaca o crescimento da despesa acima da receita, o aumento dos encargos estruturais e o agravamento do prazo médio de pagamentos.

Os sociais-democratas apontam também para a existência de empréstimos contratados com baixa taxa de execução, alertando que a sua utilização integral poderia ter impacto no nível da dívida municipal.

Para o PSD, a prestação de contas “não pode ser um mero exercício formal”, devendo assumir-se como um instrumento rigoroso de transparência e avaliação da gestão pública.

A troca de comunicados evidencia leituras distintas sobre o desempenho financeiro do município em 2025, com o executivo a destacar estabilidade e consolidação, e a oposição a apontar riscos e fragilidades.

As contas foram aprovadas por maioria, com quatro votos a favor e três abstenções.

O tema deverá continuar a marcar o debate político local, numa altura em que o documento segue para apreciação na Assembleia Municipal de Seia, agendada para 27 de abril.

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