Freguesia de Meruge diz que renaturalização do Rio Cobral não resolve problema da poluição
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A Junta de Freguesia de Meruge considera que o projeto de renaturalização do Rio Cobral, anunciado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), só produzirá resultados se forem eliminadas as fontes de poluição que continuam a descarregar efluentes para aquele curso de água.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o executivo da freguesia defende que “a despoluição do Rio Cobral só será efetiva quando se eliminarem as fontes de poluição”, criticando a prioridade dada ao projeto de renaturalização em detrimento de medidas para travar as descargas poluentes.

Segundo a Junta de Freguesia, “a transformação do Rio Cobral em esgoto a céu aberto deve-se, comprovadamente, às impunes descargas poluentes das empresas de lacticínios da Catraia de São Romão/Carragozela”, recordando que, ao longo dos últimos anos, tem solicitado reuniões entre os municípios de Oliveira do Hospital e Seia e as entidades fiscalizadoras para encontrar soluções para o problema.

No comunicado, o executivo refere que a pressão da população, a divulgação do caso na comunicação social, a petição pública e uma moção aprovada pela Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital contribuíram para a realização de reuniões com a APA e outras entidades.

A Junta recorda que, numa reunião realizada em junho, a APA informou que as quatro empresas de lacticínios dispõem de licença para descarga de efluentes e que apresentavam “controlo analítico e boletins de descarga em dia”, anunciando igualmente a instalação de equipamentos de monitorização para avaliar as cargas poluentes descarregadas por cada unidade industrial.

Contudo, na reunião realizada a 31 de julho, o executivo de Meruge afirma que esperava conhecer os resultados dessa monitorização, lamentando que não tenham sido apresentados quaisquer dados sobre o assunto.

Na mesma reunião, acrescenta a Junta de Freguesia, a APA informou que o projeto de renaturalização do Rio Cobral se encontra em fase final de elaboração, abrangendo todo o percurso do rio.

Para o executivo, esta medida não resolve o problema de fundo.

“Se é importante limpar as margens e o leito do Rio Cobral, claro que é. Mas não é o Rio que se polui a si próprio, são as fábricas de lacticínios. O que resolve é agir sobre as fontes poluidoras e não lançar projetos sonantes para fazer esquecer que elas existem”, refere o comunicado.

A Junta de Freguesia conclui que não participará em “encenações mediáticas” nem em “operações de cosmética”, reafirmando que a recuperação ambiental do Rio Cobral só será possível com a eliminação das fontes poluidoras.

Recorde-se que, nos últimos dias, o Seia Digital noticiou o anúncio da APA sobre a preparação do projeto de renaturalização do Rio Cobral e a satisfação manifestada pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, relativamente ao avanço daquela intervenção.

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