Aldeias de Montanha celebram o outono com festas, sabores e tradições comunitárias
A agenda de outono inclui iniciativas em várias localidades da região, entre as quais a Festa da Castanha na Lapa dos Dinheiros, em Seia, a 31 de outubro, e a Noite das Caçoilas no Sabugueiro, a 7 de novembro. Caminhadas, magustos, gastronomia tradicional e almoços comunitários convidam os visitantes a descobrir a Serra da Estrela e a Serra da Gardunha.
As Aldeias de Montanha assinalam a chegada do outono com uma agenda de festas e atividades que cruzam paisagem, gastronomia e tradições comunitárias. Entre o final de outubro e meados de novembro, várias localidades da região promovem caminhadas, magustos, mercados de produtos locais e refeições partilhadas, numa aposta na valorização dos recursos naturais e da identidade rural.
No concelho de Seia, os destaques são a Festa da Castanha na Lapa dos Dinheiros, marcada para 31 de outubro, e a Noite das Caçoilas no Sabugueiro, a 7 de novembro. As duas iniciativas recuperam tradições ligadas à vida comunitária e à gastronomia serrana.
Na Lapa dos Dinheiros, a celebração da castanha inclui caminhadas na natureza, magusto na caruma e um almoço comunitário, com as tradicionais feijocas em destaque. Já no Sabugueiro, habitantes e visitantes são convidados a levar as caçoilas de barro ao antigo forno comunitário, num jantar que evoca as vivências festivas do passado.
Um roteiro de outono pela região
A programação estende-se a outras localidades dos territórios da Serra da Estrela e da Serra da Gardunha.
Em São Gião, no concelho de Oliveira do Hospital, o Festival do Medronho realiza-se a 30 e 31 de outubro, com atividades relacionadas com a colheita e destilação da aguardente de medronho, degustações e um almoço comunitário preparado em cozinha de fogo.
Em Manteigas, o programa Outono nas Faias decorre de 30 de outubro a 29 de novembro. Os visitantes poderão participar em percursos pedestres guiados pelo Geopark Estrela, atividades culturais e iniciativas ligadas à fotografia e à paisagem, tendo como cenário a mudança de cores do bosque das Faias de São Lourenço.
De 31 de outubro a 2 de novembro, Folgosinho, no concelho de Gouveia, recebe a Festa dos Sabores da Montanha, com mercado, caminhadas interpretativas pelos trilhos da serra e degustação de pratos tradicionais, como cabrito, feijoada de javali, queijo da Serra e castanhas assadas.
Em Prados, no concelho de Celorico da Beira, a Festa da Castanha está marcada para 7 e 8 de novembro, com mercado de produtos locais, caminhadas, magusto comunitário e carnes assadas no forno comunitário.
Também nos dias 7 e 8 de novembro, Meruge, em Oliveira do Hospital, acolhe a Feira do Porco e do Enchido, com destaque para os torresmos, os enchidos e o arroz de suã. A mesma data está reservada para a Festa da Castanha e da Jeropiga, em Famalicão da Serra, no concelho da Guarda, onde a castanha, a jeropiga e a cestaria tradicional se juntam à música e à animação cultural.
A 14 e 15 de novembro, Verdelhos, no concelho da Covilhã, promove o evento Agasalhos no Frio, com almoço comunitário, artesanato, produtos locais e música tradicional. Nos mesmos dias, o Alcaide, no concelho do Fundão, recebe o Festival dos Míscaros, que inclui passeios micológicos guiados, workshops, animação de rua e tasquinhas.
Visitantes convidados a participar na vida das aldeias
A Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha (ADIRAM) apresenta esta programação como uma forma de valorizar comunidades rurais ativas, afastando-se de um modelo turístico centrado apenas na contemplação da paisagem.
Francisco Rolo, presidente da direção da ADIRAM, considera que o desenvolvimento rural deve ser feito “com as pessoas e para as pessoas”, transformando os visitantes em parceiros do território. O autarca, que preside também a Câmara de Oliveira do Hospital, defende que as aldeias devem manter “vida própria” durante todo o ano, em vez de se tornarem “exclusivamente turísticas”.
Também Célia Gonçalves, secretária executiva da Associação, destaca a importância de envolver os visitantes nas tradições e na economia local. A responsável defende que quem participa nestas celebrações “não é um mero espetador, assume o papel de ‘turista de impacto’, sentando-se à mesa com a comunidade, vivenciando o acolhimento e saindo com a certeza de que a sua presença ajudou a dinamizar a economia local, a criar riqueza e a construir futuro para este território”.
Esta agenda integra o Plano de Ação da Estratégia de Eficiência Coletiva (EEC) PROVERE Aldeias de Montanha 2030, reforçando o compromisso com a transição agroecológica, a inovação territorial e o desenvolvimento sustentável dos territórios do interior.
📸 ©Pedro Ribeiro
