CineEco reforça programação paralela com cinema clássico, debates, exposições e oficinas
32ª edição do festival, que decorre de 9 a 17 de outubro, apresenta uma programação para além da competição, com destaque para filmes sobre ambiente, cinema clássico dedicado à Serra da Estrela, Mercado de Filmes, exposições e atividades de formação.
O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela reforça, na sua 32ª edição, a programação paralela à competição, com nove dias dedicados ao cinema, ao debate e à criação artística em torno das questões ambientais. Entre 9 e 17 de outubro, Seia recebe realizadores, artistas, investigadores, estudantes, profissionais do setor e público em geral, numa programação que pretende prolongar a experiência do festival para além das sessões competitivas, através de debates, cinema clássico, exposições, oficinas e encontros profissionais.
Cinema em Debate aborda incêndios, agricultura e ambiente
Um dos principais eixos da programação extracompetição é o Cinema em Debate, que reúne cinco filmes centrados em diferentes questões ambientais e sociais. Entre as propostas está “Lições de Fogo”, de John Webster, documentário sobre os incêndios em Portugal e o trabalho das equipas de bombeiros portugueses, acompanhadas por uma equipa finlandesa que se confronta com a dimensão dos fogos no país.
A programação inclui ainda “Flüssiges Gold – Was steckt im Abwasser?”, de Philip Montasser, dedicado ao potencial das águas residuais enquanto recurso e fonte de energia; “Agroecologia em Movimento”, de João Frade Garrinhas, sobre as práticas e princípios da agroecologia em Portugal; “Fires and Fascism”, de Pete Knapp, sobre ação direta, protesto e renaturalização perante a propagação dos incêndios e a ascensão da extrema-direita; e “Pantanal”, de Sofija Korf, centrado na crise estrutural que ameaça o futuro deste bioma.
“Marcas da Montanha” recupera memória cinematográfica da Serra
A relação entre cinema, território e memória estará também em destaque com “Marcas da Montanha”, um conjunto de sessões especiais dedicadas à Serra da Estrela. A iniciativa realiza-se a 16 de outubro, no Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), com a exibição de quatro documentários.
O programa inclui “Paisagens da Serra da Estrela” (1921), numa cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, e três documentários produzidos pela RTP: “A Serra da Estrela” (1965), “A Serra da Estrela” (1970) e “Parque Natural da Serra da Estrela” (1983).
Para o público mais jovem, o festival apresenta ainda, a 11 de outubro, no auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia, uma sessão especial de “Animal Farm”, de Andy Serkis, adaptação da fábula satírica baseada na obra de George Orwell.
Mercado de Filmes promove encontros entre profissionais
O Mercado de Filmes regressa ao CineEco no primeiro dia do festival, a 9 de outubro, como espaço de encontro e networking entre produtores, realizadores, estudantes e outros profissionais do setor.
A iniciativa decorre no Auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia e no Mercado Municipal de Seia, promovendo encontros entre jovens aspirantes a realizadores e produtoras, realizadores e argumentistas, com apresentação de projetos e obras inéditas.
Exposições levam o festival para além das salas
A programação de 2026 estende-se também às artes visuais, com as exposições de fotografia “Ruralidades”, de António Luís Campos, Paulo Magalhães, Miguel Proença e José Conde, e “A Luz da Estrela”, de Manuel Ferreira.
A secção não competitiva de VideoArte será apresentada em formato de exposição-galeria, permitindo uma experiência mais contínua e imersiva de obras que abordam questões ambientais através de uma linguagem mais poética e conceptual.
Oficinas aproximam cinema e educação
A componente educativa mantém igualmente um lugar de destaque na programação do CineEco. Além das sessões Curtinhas, nos dias 12 e 16 de outubro, destinadas à comunidade escolar, o festival promove a formação “Filosofia com Cinema: uma educação em movimento dentro e fora da escola”, orientada por Elsa Cerqueira.
Estão ainda previstas duas oficinas de experimentação e criação audiovisual: “Ilustrar Histórias com o Taumatrópio”, dinamizada por Sérgio Pereira, e a “Oficina Projeto Eco-Vídeos”, orientada por Sérgio Pereira e Laura Marques.
CineEco cria bosque com espécies autóctones
Uma das novidades desta edição é a criação do Bosque CineEco, na Quinta da Nogueira, em Seia. O projeto pretende contribuir para a reflorestação de uma área que está a ser convertida num espaço de lazer e usufruto da população, com a plantação de espécies nativas.
A primeira ação está marcada para a manhã de 11 de outubro e contará com a participação de realizadores e convidados do festival. Serão plantados 32 exemplares de espécies autóctones, entre pilriteiros, azereiros, bétulas e tramazeiras, correspondendo ao número da edição do CineEco.
A organização pretende que, no futuro, o bosque possa acolher um auditório natural construído a partir da própria paisagem, permitindo a realização de sessões de cinema ao ar livre.
A iniciativa é também apresentada pelo festival como uma forma de “mitigar o impacto da presença dos convidados através de um resultado real e verificável no território”.
103 filmes integram a programação de 2026
A 32ª edição do CineEco recebeu 410 filmes candidatos à Seleção Oficial, entre ficções e documentários nacionais e internacionais. Deste conjunto, foram selecionados 103 filmes de 34 países, dos quais 86 integram as seis secções competitivas da programação oficial.
O CineEco realiza-se em Seia desde 1995, por iniciativa do Município de Seia, e apresenta-se como um dos festivais de cinema ambiental mais antigos do mundo. A entrada nas atividades do festival é gratuita.
