Expresso do Alto Mondego transforma antiga rede cultural em nova rota turística pela ferrovia
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Projeto junta Nelas, Mangualde, Gouveia e Fornos de Algodres e prevê 40 bicicletas elétricas, novos roteiros e uma plataforma única de experiências turísticas.

A Rede Cultural do Alto Mondego, que desde 2018 junta os municípios de Nelas, Mangualde, Gouveia e Fornos de Algodres, está de regresso com um novo projeto, desta vez direcionado para o turismo e com a ferrovia como elemento central. O “Expresso do Alto Mondego” pretende transformar a viagem numa experiência de descoberta do território, cruzando património, cultura, gastronomia, paisagem e comunidades dos quatro municípios atravessados pela Linha da Beira Alta.

O projeto foi apresentado publicamente no início de setembro, em Nelas, e deverá desenvolver-se até maio de 2028. A iniciativa representa um investimento de 511 mil euros, financiado em 70% pelo Turismo Centro de Portugal e em 30% pelos quatro municípios envolvidos. A nova proposta dá continuidade ao trabalho desenvolvido pela Rede Cultural do Alto Mondego entre 2018 e 2022, que promoveu iniciativas conjuntas nas áreas da música, teatro e grupos folclóricos. Agora, os quatro municípios pretendem aplicar a mesma lógica de cooperação à criação de uma oferta turística integrada.

Ferrovia como eixo da nova experiência turística

O “Expresso do Alto Mondego” pretende valorizar a Linha da Beira Alta e incentivar a utilização do comboio como meio de transporte sustentável para conhecer o território. O projeto prevê a criação de novos roteiros e experiências turísticas, um programa cultural itinerante, ações de capacitação dos agentes turísticos e uma rede de mobilidade verde. Está igualmente prevista a disponibilização de 40 bicicletas elétricas, 10 em cada município, junto às estações ferroviárias, permitindo aos visitantes deslocarem-se entre diferentes pontos de interesse. A iniciativa contempla ainda a criação de estruturas de carregamento e de uma rota que se pretende ver certificada internacionalmente no âmbito do turismo sustentável.

A empresa Ruris, responsável pelo desenvolvimento do projeto em articulação com os quatro municípios, pretende criar uma plataforma única onde os visitantes possam consultar e adquirir experiências e programas turísticos com diferentes durações. A plataforma deverá reunir informação sobre alojamento, restauração, património e atividades disponíveis nos quatro territórios, permitindo a criação de propostas de um ou mais dias e incentivando os visitantes a permanecerem mais tempo na região.

Quatro municípios, duas comunidades intermunicipais

Nelas, Mangualde, Gouveia e Fornos de Algodres estão ligados por elementos comuns como o rio Mondego, a Serra da Estrela e a Linha da Beira Alta, apesar das características próprias de cada território.

Na apresentação do projeto, o presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral, destacou precisamente esta complementaridade e os elementos que unem os quatro municípios: “o maior rio e a maior serra portugueses, a Linha da Beira Alta, as paisagens deslumbrantes, a cultura, as artes e a tradição”.

O autarca realçou o orgulho em dar início ao projeto em Nelas, naquela que será a continuação de uma rede “que já existe há muito tempo, desta vez canalizada para um turismo muito particular, ligado à linha férrea”, defendendo que o comboio constitui um meio de transporte “sustentável, moderno, ecológico, direcionado para os tempos que vivemos e um motor essencial para o desenvolvimento dos nossos territórios”.

Também o presidente da Câmara de Gouveia, Jorge Ferreira, sublinhou a particularidade de o projeto envolver municípios pertencentes a duas comunidades intermunicipais: Viseu Dão Lafões e Beiras e Serra da Estrela, considerando que essa articulação pode contribuir para atrair visitantes e prolongar a sua permanência no interior.

Por sua vez, o presidente da Câmara de Fornos de Algodres, Alexandre Lote, destacou a importância da experiência adquirida pela Rede Cultural do Alto Mondego, enquanto a vereadora da Câmara de Mangualde, Rosalina Alegre, salientou o potencial turístico da iniciativa.

Projeto arranca com nova programação turística

O “Expresso do Alto Mondego” deverá ter uma primeira programação entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, através de um itinerário que pretende ligar os principais recursos e experiências dos quatro concelhos. A iniciativa pretende envolver não apenas os municípios, mas também operadores turísticos, empresas, associações, juntas de freguesia e outros agentes locais, que serão chamados a contribuir para a construção da oferta.

Entre os parceiros do projeto encontram-se o Turismo Centro de Portugal, Geopark Estrela, ADIRAM, Universidade da Beira Interior, Instituto Politécnico de Viseu, Instituto Politécnico da Guarda, IGEP, Comissão Vitivinícola Regional do Dão, A. Certifica, NEST e CP – Comboios de Portugal.

A apresentação em Nelas incluiu ainda uma visita à estação ferroviária e às inscrições da Linha da Beira Alta existentes na Zona Industrial, datadas de 1880 e relacionadas com a construção da linha. No local foi inaugurado um painel explicativo.

A próxima apresentação pública do projeto está marcada para 27 de setembro, às 14h30, no Posto de Turismo de Gouveia, numa sessão dirigida aos agentes turísticos do concelho, que terão oportunidade de conhecer o projeto e perceber de que forma poderão integrar a nova oferta.

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