Vigília em Loriga junta população em defesa do Polo de Saúde
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Utentes percorreram em silêncio as principais ruas da vila até às instalações do Polo de Saúde, num protesto contra o encerramento temporário e em defesa da continuidade dos cuidados de proximidade.

Os utentes do Polo de Saúde de Loriga, pertencente à Unidade de Saúde Familiar (USF) Nova Estrela, promoveram na noite de terça-feira, 15 de setembro, uma “Vigília pela Saúde”, numa iniciativa destinada a chamar a atenção para a situação do serviço local e defender a continuidade dos cuidados de saúde de proximidade.

A iniciativa decorreu precisamente no dia em que Portugal assinalou os 47 anos da criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e pretendeu dar voz à preocupação da população relativamente ao futuro do Polo de Saúde de Loriga.

Os participantes percorreram silenciosamente as principais ruas da vila até às instalações do Polo de Saúde, numa manifestação que os organizadores apresentaram como um sinal de união e de alerta para a necessidade de garantir a continuidade do serviço.

“O nosso silêncio falou alto”

Carlos Pereira, um dos dinamizadores da vigília, afirmou que a caminhada silenciosa pretendeu transmitir a preocupação e a determinação da população em defender a saúde em Loriga. “Hoje caminhámos em silêncio, mas o nosso silêncio falou alto, falou da nossa preocupação, da nossa indignação e da nossa determinação em defender a saúde em Loriga”, afirmou.

O dinamizador considera que o encerramento temporário atualmente em curso deve ser encarado como um motivo de atenção por parte da população e das entidades responsáveis. “Esta vigília é um sinal de alerta, é a nossa forma de dizer às entidades responsáveis que a nossa comunidade está atenta, está unida e não se conforma”, acrescentou.

Carlos Pereira deixou ainda o receio de que um encerramento temporário possa vir a transformar-se, no futuro, num encerramento definitivo do Polo de Saúde. “Não podemos aceitar que o encerramento temporário se transforme amanhã num encerramento definitivo do Polo de Saúde de Loriga”, afirmou, apelando à continuidade da mobilização da população. “Não deixemos esta luta morrer depois desta vigília. Continuemos unidos e participativos”, acrescentou.

Os promotores da iniciativa sublinham que o objetivo não é dirigir o protesto contra pessoas ou entidades, mas defender o acesso da população a cuidados de saúde próximos. “Não estamos contra ninguém. Estamos a defender um direito: o direito à saúde e a um serviço de proximidade”, afirmou Carlos Pereira.

A preocupação prende-se sobretudo com a necessidade de evitar que os utentes do sul do concelho tenham de se deslocar regularmente a Seia para consultas médicas ou serviços de enfermagem, situação que os promotores consideram particularmente relevante tendo em conta as características do território e as dificuldades de mobilidade de parte da população.

O Polo de Saúde de Loriga serve, além da população da freguesia, utentes de Vide, Cabeça, Alvoco da Serra, Sazes da Beira e Valezim.

USF Nova Estrela e Câmara afastam encerramento definitivo

A vigília acontece na sequência do encerramento temporário do Polo de Saúde de Loriga entre 7 e 18 de setembro, devido ao período de férias dos profissionais que asseguram o serviço.

Conforme já noticiado pelo Seia Digital, a USF Nova Estrela e a Câmara Municipal de Seia afastam a possibilidade de um encerramento definitivo, enquadrando a atual situação numa reorganização temporária relacionada com as férias dos profissionais de saúde.

Apesar das garantias das entidades responsáveis, a população mantém a preocupação quanto à continuidade dos cuidados de proximidade e pretende que sejam encontradas soluções que permitam assegurar a substituição dos profissionais durante os períodos de férias.

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